O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin (PSB), comentou sobre a importância do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em Washington, em março. Entre as pautas da reunião bilateral, está a retirada de todos os produtos brasileiros do tarifaço de 50%, em vigor desde agosto de 2025.
“Todo o trabalho da gente está em reduzir as alíquotas ou retirar o máximo que puder do tarifaço de 50%. Ele não se justifica, porque na importação dos Estados Unidos, quando nós importamos deles, dos 10 produtos que eles mais vendem para o Brasil, em oito, a tarifa é zero. E a tarifa média é 2,7%”, destacou o vice, após participar da inauguração da Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).
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A uva é uma das frutas que ficaram de fora das exceções ao tarifaço. Em 2024, os EUA foram o destino de 12% de todas as frutas frescas exportadas pelo Brasil, com os exportadores de uva faturando US$ 41,5 milhões somente nesse período, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Entre os meses de outubro e novembro do ano passado, a exportação de uvas para os EUA registrou uma queda 73% em relação ao mesmo período de 2024. “Das 20 maiores economias do mundo, do G20, só com três países os Estados Unidos têm superavit. É Brasil, Austrália e Reino Unido. Todos os outros eles têm deficit. Então nós estamos confiantes que vamos poder avançar mais desse acordo em março, entre Brasil e Estados Unidos, no encontro entre os dois presidentes”, acrescentou o ministro.
Acordo Mercosul-UE
Durante a fala à imprensa, Alckmin também comentou sobre os desafios para os viticultores com a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Os produtores de vinho e espumante brasileiros temem pela perda de competitividade no mercado interno, com os produtos europeus chegando mais baratos nas prateleiras dos supermercados.
Apesar da preocupação, o vice-presidente ressaltou que haverá uma fase de desgravação (redução gradual de imposto) nas alíquotas de importação para esses produtos no Mercosul. No caso do vinho, essa transição deve durar 8 anos, enquanto que para o espumante, o prazo deve ser de até 12 anos.
“No próprio acordo Mercosul-União Europeia, tem um capítulo voltado às salvaguardas. E o presidente Lula vai regulamentar a salvaguarda por decreto. Então nós teremos a salvaguarda regulamentada, então qualquer problema você pode suspender aquele item. Se tiver um aumento grande de imposto de importação, você pode imediatamente acionar a salvaguarda”, afirmou Alckmin.
