O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou um crescimento de 2,5% em 2025 após recuar 0,2% em dezembro, de acordo com os dados divulgados pela autoridade monetária na manhã de ontem. Considerado como a "prévia do Produto Interno Bruto (PIB)".
Apesar do recuo em relação ao mês anterior, a última apuração mensal do IBC-Br registrou um ganho de 3,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
O indicador oficial será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 3 de março.
Ao excluir o setor agropecuário, o índice do BC acumulou alta de 1,8% no ano. Sozinho, o indicador da agricultura e pecuária avançou 13,05% em 2025. O peso desse setor no IBC-Br, no entanto, é de apenas cerca de 5%, bem abaixo de indústria (20,9%) e serviços (59,2%).
A taxa acumulada pelo IBC-Br da indústria fechou o ano em 1,45%, ao passo que o índice de serviços encerrou o mesmo período em 2,06%, após registrar um leve recuo em dezembro. Além disso, o indicador de impostos, que representa os tributos líquidos sobre produtos do PIB, ficou em 1,24%.
No trimestre móvel encerrado em dezembro, o IBC-Br cresceu 0,4% na comparação com os três meses anteriores. Nesse período, o índice do setor agropecuário cresceu 2,8% ao passo que a indústria caiu 0,2%. Já os serviços avançaram 0,5%, enquanto que os impostos subiram 0,3%.
O recuo do índice em dezembro confirma que a economia perdeu tração no fechamento do ano, especialmente depois de um avanço forte de novembro, na visão de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. "A fraqueza industrial dialoga com um ambiente global mais desafiador, com China ainda irregular e commodities metálicas sob pressão, o que tem impacto direto em empresas como Vale e na dinâmica do Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo)", comenta o especialista.
- Leia também: Queda no IBC-Br contribui para apostas de queda de 0,5 ponto percentual na Selic em março
Lima destaca ainda que, para o mercado, o resultado mais fraco do IBC-Br diminui os riscos de um novo aumento da inflação. "O cenário segue de expansão moderada, com maior seletividade setorial. Em renda variável, isso significa foco em empresas com valuation mais ajustado, geração consistente de caixa e menor alavancagem, em um ambiente em que juros e commodities continuam sendo as principais âncoras de precificação", acrescenta.
Histórico
O resultado acumulado nos 12 meses do ano passado mostram a diferença em relação ao que ocorreu em 2024, quando o índice do Banco Central avançou 3,8% — o melhor resultado desde 2021, quando a economia se recuperou de um ano traumático marcado pela pandemia de Covid-19. Apesar de ser considerada uma prévia do PIB, o resultado do IBC-Br tem se distanciado da atividade econômica oficial. No ano passado, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou um crescimento de 3,4% na economia brasileira — abaixo do número divulgado pelo BC.
Apesar de sinalizar uma perda de ritmo na atividade, o IBC-Br não indica uma reversão de tendência, na visão do diretor da Bossa Invest, Antonio Patrus. "Para o mercado, essa combinação de atividade mais moderada e inflação em processo de ajuste pode fortalecer a precificação de cortes da Selic ao longo do ano, melhorando o ambiente para ativos de risco, ainda que o cenário externo, com um Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) mais conservador, limite movimentos mais agressivos", considera.
Já o economista e CEO da Super-ETF Educação, Fábio Murad, acredita que o resultado deve causar uma repercussão na curva de juros, com chance de alívio nos títulos com vencimentos curtos, se a leitura for de atividade mais fraca e inflação em trajetória melhor. No caso das ETFs, que representam fundos de investimentos ligados à bolsa de valores, ele espera que os investidores apostem mais em índices ligados a juros.
"Em projeção de PIB, (o resultado do IBC-Br) reforça a necessidade de revisar cenários com base em sequência, não em manchete, e aumenta a chance de ajustes marginais no crescimento do fim de 2025 e nas estimativas para o começo de 2026. ETFs ajudam a atravessar esse tipo de transição de ciclo sem depender de uma única aposta", sustenta.
Política monetária
O IBC-Br foi criado em março de 2010, com o objetivo de acompanhar a evolução da atividade econômica do país em um prazo mais curto do que o PIB, do IBGE, que é trimestral. De periodicidade mensal, o indicador tem o objetivo de contribuir nas análises para a estratégia de política monetária, de responsabilidade da autoridade monetária.
Saiba Mais
-
Mundo Foto de Andrew em choque e assustado é parte de como prisão de ex-príncipe será lembrada
-
Ensino superior Pesquisa mostra o quanto redes sociais prejudicam desempenho de estudantes
-
Cidades DF Colisão no Polo de Modas do Guará termina com vítima hospitalizada
-
Esportes Gabriel Jesus participa de um gol a cada 96 minutos no Arsenal
-
Educação básica Fundação Estudar abre seleção para a 35ª turma de bolsistas do Programa Líderes Estudar 2026
-
Política Após críticas ao STF, presidente da Unafisco é intimado a depor
-
Política Mendonça autoriza acesso amplo da PF em provas do caso Master
