O Banco de Brasília (BRB) informou, por meio de fato relevante divulgado na noite desta quinta-feira (26/02), que conseguiu na Justiça o bloqueio e o arresto das ações da instituição que pertencem aos investigados no caso do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
Além do banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-sócio Maurício Quadrado e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, estão com os ativos do BRB bloqueados, porque são investigados pela PF. Eles compraram ações do BRB antes do anúncio da compra do Master, em março de 2025. Em fevereiro deste ano, o banco público atualizou a distribuição das ações e informou que Mansur passou a deter 4,55% do BRB. Vorcaro é cotista de fundos acionistas do BRB, que tenta autorização da Câmara Legislativa para conseguir um aporte para cobrir as perdas contraídas com negociações com o Master.
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De acordo com o comunicado do BRB, o pedido de tutela cautelar para o bloqueio das ações dos envolvidos na Operação Compliance Zero foi concedido pela Vara Cível da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília, e tem como objetivo impedir a alienação dos bens da instituição. A decisão é em caráter liminar e, segundo a instituição, o processo tramita em segredo de justiça.
“A medida tem por objetivo possibilitar o futuro ressarcimento de prejuízos causados à Companhia em razão de operações envolvendo o Banco Master — em liquidação extrajudicial e outras partes relacionadas”, informou a nota do BRB. "Em observância ao seu dever de cooperação com as autoridades públicas e em respeito ao devido processo legal, o BRB encaminhou imediatamente o referido relatório preliminar à Polícia Federal e, posteriormente, a outros órgãos públicos competentes para ciência, análise e diligências que entendessem cabíveis”, acrescentou.
Os valores estimados das ações bloqueadas giram em torno de R$ 376 milhões, conforme estimativas do portal G1.
A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investiga fraudes no Banco Master e identificou a venda de R$ 12,2 bilhões de uma carteira de créditos podres para o BRB. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master no mesmo dia em que a PF deflagrou a Compliance Zero, em novembro passado.
As estimativas são de que o prejuízo do BRB com essa operação com o Master supere R$ 5 bilhões, pois o plano de reestruturação enviado pela instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal ao Banco Central, no início do mês, é de R$ 6,6 bilhões. Contudo, o plano de aumento de capital social do BRB prevê um valor maior para o aporte no banco, de R$ 8,8 bilhões.
Contratação de advogados
No fato relevante, o BRB também informou que contratou o escritório Machado Meyer Advogados, com assistência técnica da Kroll, “com o objetivo apurar os fatos relacionados à Operação Compliance Zero que possam envolver a instituição". O relatório enviado à Justiça para o bloqueio das ações dos acionistas ligados ao caso Master foi elaborado pelos advogados contratados.
“No curso da investigação independente – ainda em curso, foi elaborado relatório de natureza preliminar, com escopo delimitado a aspectos específicos da investigação, no qual foram identificados elementos que demandavam análise pelas autoridades competentes, com vistas à avaliação de eventual existência de atos ilícitos”, justificou o comunicado.
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