TECNOLOGIA

Brasil concentra quase metade dos ataques DDoS na América Latina

Relatório aponta 8 milhões de incidentes no mundo e avanço de ataques com uso de IA

Fóruns clandestinos registraram alta de 219% nas menções a ferramentas de IA voltadas a ataques cibernéticos -  (crédito: AFP / NICOLAS ASFOURI)
Fóruns clandestinos registraram alta de 219% nas menções a ferramentas de IA voltadas a ataques cibernéticos - (crédito: AFP / NICOLAS ASFOURI)

O NetScout, empresa global especializada em soluções de cibersegurança, identificou mais de 8 milhões de ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) em 203 países e territórios no segundo semestre de 2025, segundo o Relatório de Inteligência de Ameaças divulgado pela empresa. Os ataques atingiram picos de 30 terabits por segundo (Tbps), indicando ampliação de escala e capacidade operacional.

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Cerca de 42% das ofensivas foram multivetoriais, com uso simultâneo de 2 a 5 vetores distintos. Em alguns casos, os ataques se adaptaram dinamicamente para dificultar a mitigação.

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Na América Latina, foram registrados 1.014.148 ataques no período. O Brasil concentrou 470.677 incidentes, quase metade do total regional. Em um único ataque direcionado ao país, foram identificados até 24 vetores combinados.

O relatório também aponta crescimento no uso de inteligência artificial (IA) por agentes maliciosos. Fóruns clandestinos registraram alta de 219% nas menções a ferramentas de IA voltadas a ataques cibernéticos. Segundo a empresa, modelos de linguagem de grande escala vêm sendo utilizados para acelerar a exploração de vulnerabilidades e expandir botnets.

Os principais vetores utilizados contra alvos brasileiros foram TCP ACK, com 134.320 registros, amplificação DNS, com 98.558, TCP RST, com 76.980, amplificação STUN, com 65.936, e amplificação TCP SYN/ACK, com 65.915.

Entre os setores mais visados no Brasil, empresas de telecomunicações sem fio lideraram, com 114.797 ataques e duração média de 68 minutos. Em seguida aparecem infraestruturas de computação, hospedagem e serviços relacionados, com 47.897 ataques e duração média de 21 minutos; operadoras de telecomunicações com fio, com 34.051; comércio atacadista de equipamentos para escritório, com 6.515; e transporte rodoviário de cargas local, com 6.367. Bancos comerciais, empresas de telecomunicações diversas e organizações religiosas também foram atingidos.

Para Richard Hummel, diretor de inteligência de ameaças da NetScout, o cenário exige revisão das estratégias de defesa. “Os agentes de ameaça identificam organizações que não investiram nas defesas certas para se manterem à frente de ataques DDoS sofisticados e coordenados, a fim de derrubar infraestrutura crítica”, afirmou.

Segundo ele, as abordagens tradicionais tornaram-se insuficientes. “As defesas de segurança tradicionais não funcionam mais e, com os invasores atingindo novos patamares de volume e complexidade de ataque, a implementação de defesas automatizadas e proativas se tornou um mandato de gestão de risco em nível de negócios — não apenas uma preocupação técnica para profissionais de segurança”, declarou.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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postado em 04/03/2026 15:54 / atualizado em 04/03/2026 15:54
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