Caso Master

Ex-dirigentes do Banco Central teriam recebido propina de Daniel Vorcaro

Investigação aponta que controlador do Banco Master mantinha grupo de WhatsApp com dois servidores do BC, que atuavam como consultores, pagou propina e custeou viagem à Disney

Antes da decisão judicial, o próprio BC já havia instaurado sindicância interna para apurar a conduta dos servidores -  (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Antes da decisão judicial, o próprio BC já havia instaurado sindicância interna para apurar a conduta dos servidores - (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Dois servidores de carreira do Banco Central (BC) foram afastados por decisão judicial na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (4/3). A etapa da investigação também resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

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Foram afastados Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de Fiscalização da autarquia, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área de supervisão bancária. Ambos são investigados por suspeita de atuação irregular na fiscalização do Banco Master antes da liquidação da instituição, decretada após o agravamento da crise financeira do banco.

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De acordo com decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, os dois ex-integrantes do BC atuavam como consultores privados de Vorcaro em assuntos relacionados à autoridade monetária e recebiam vantagens indevidas. 

A decisão, com base nas investigações da PF, aponta a existência de um grupo em aplicativo de mensagens entre os investigados e cita, entre as vantagens indevidas, uma viagem à Disney realizada por Sousa, cujo serviço de guia teria sido pago pelo empresário.

O documento também menciona a simulação de um contrato de consultoria com a empresa Varajo Consultoria Empresarial para justificar repasses a Santana. Segundo a decisão judicial, há registros de diversas comunicações entre Vorcaro e Sousa nas quais o banqueiro “solicitava orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias”.

Conforme a investigação, Santana também prestava orientações semelhantes ao empresário. Para o ministro, os dois servidores públicos articulavam, internamente, interesses do Banco Master no âmbito do Banco Central. À época dos fatos, a autoridade monetária era presidida por Roberto Campos Neto.

Antes da decisão judicial, o próprio BC já havia instaurado sindicância interna para apurar a conduta dos servidores, procedimento iniciado antes de novembro de 2025. 

No início de 2026, ambos foram afastados administrativamente de suas funções por meio de portarias publicadas no Diário Oficial da União. Concluída a apuração interna, as informações foram encaminhadas à Polícia Federal, responsável pela investigação criminal que apura suspeitas de corrupção e favorecimento indevido.

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postado em 04/03/2026 10:41 / atualizado em 04/03/2026 10:41
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