
A Anthropic, startup de inteligência artificial (IA) iniciou, ontem, uma batalha judicial para impedir que o Pentágono coloque a empresa em uma lista de segurança nacional, o que intensificou o confronto da startup com a Defesa dos Estados Unidos.
O rompimento do governo de Donald Trump com a Anthropic teve início no fim de fevereiro e reforça o peso crescente das empresas de tecnologia e inteligência artificial no cenário político e militar. A empresa está entre as principais desenvolvedoras de IA do mundo e possui sistemas considerados, em alguns casos, mais avançados do que os da OpenAI (empresa que criou o Chat GPT), especialmente em tarefas como programação. Fundada há cinco anos por Dario Amodei, ex- OpenAI, a Anthropic é atualmente avaliada em US$ 380 bi.
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O racha ocorreu após divergências sobre limites éticos para a aplicação de inteligência artificial em programas de defesa. A Anthropic defende restrições ao uso da tecnologia em sistemas militares, enquanto o Departamento de Defesa dos EUA sustenta que empresas privadas não devem determinar quais armamentos podem ser utilizados em combate.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que decisões sobre armamentos cabem exclusivamente ao governo. "Nenhum executivo do setor privado decidirá quais armamentos serão empregados por soldados norte-americanos em combate", declarou, em reportagem publicada pelo The Wall Street Journal em 3 de março.
Para Luis Fernando Prado, Diretor Executivo do Instituto Brasileiro de Inovação e Regulação Aplicada (IBIRA), membro do Conselho Consultivo e Líder do Comitê de IA Responsável da Associação Brasileira de IA (Abria), a incorporação da tecnologia em estruturas estratégicas tende a se ampliar, mas deve ocorrer dentro de limites institucionais. "A integração da IA em operações sensíveis é um caminho sem volta, como os eventos recentes demonstraram. No entanto, em Estados democráticos de direito, a autonomia governamental sobre o uso de armas e vigilância nunca é absoluta; ela é sempre limitada por garantias constitucionais, controle judicial e supervisão legislativa", afirmou.
Com a suspensão do uso da tecnologia da Anthropic, a Palantir, empresa de tecnologia dos Estados Unidos especializada em análise de grandes volumes de dados e inteligência artificial que passou a ganhar espaço e influência dentro do cenário republicano nos EUA, terá de substituir o modelo de inteligência artificial e adaptar partes do software utilizado pelas forças armadas. A empresa mantém contratos ligados ao sistema Maven com o Departamento de Defesa e outras agências de segurança nacional com valor potencial superior a US$ 1 bilhão.
A companhia foi fundada em 2003 por empresários do Vale do Silício, entre eles Peter Thiel e Alex Karp, e é avaliada em US$ 374 bilhões e ganhou valor quando passou a trabalhar junto com a parte militar dos Estados Unidos. O objetivo da empresa no começo era desenvolver softwares capazes de cruzar informações de diferentes bases de dados para identificar padrões e relações entre pessoas, eventos e redes.
Parte do financiamento inicial veio da In-Q-Tel, organização vinculada à Central Intelligence Agency que investe em tecnologias consideradas estratégicas. Com o tempo, a Palantir passou a fornecer sistemas para várias instituições do governo americano, incluindo o Department of Defense, o Department of Homeland Security e o Immigration and Customs Enforcement(ICE).
O cofundador Peter Thiel é um dos principais doadores do partido e apoiou financeiramente a campanha ao Senado do político JD Vance, aliado de Trump e seu vice-presidente. Thiel doou cerca de US$ 15 milhões para a campanha de Vance em 2022, valor considerado recorde para um candidato ao Senado dos Estados Unidos. (PJ*)
*Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

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