O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã já eleva o preço do petróleo e pode refletir nos custos ao consumidor no Brasil ainda em março, segundo especialistas. O sinal de alerta acompanha a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, que cresceu 2,3%, mostrando desaceleração em relação aos anos anteriores.
Segundo o economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC), o principal risco imediato é a alta no preço do petróleo, motivada por possíveis restrições no fluxo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento global.
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O Irã afirma que a área está sob seu total controle, enquanto os Estados Unidos garantem que o estreito não está fechado. "Se de fato a gente começar a ter esse fechamento do escoamento de petróleo, isso pode chegar em dias aqui. Eu diria que ainda no mês de março a gente pode sentir, especialmente se o barril começar a se aproximar de US$ 120", afirma.
O economista explica que o efeito ocorre em cadeia. "O preço do petróleo sobe, o preço do combustível sobe e isso pode se espalhar para a economia do Brasil", destaca, ao afirmar que o impacto vai além da gasolina.
A alta do diesel encarece o transporte rodoviário, principal modal logístico do país, pressionando alimentos, produtos industrializados, compras on-line e insumos agrícolas. "É o frete que fica mais caro. E qualquer bem que necessite de transporte acaba ficando mais caro. A gente está falando de alimentação, escoamento de safra, produtos do dia a dia", acrescentou Tobler.
Embora o Brasil seja uma economia relativamente menos integrada ao comércio internacional do que países desenvolvidos, isso não significa blindagem. "Como o Brasil também é uma economia mais fechada, a gente não tem impacto tão rápido no primeiro momento. Mas se o conflito persistir e o preço do petróleo continuar subindo, isso acaba chegando aqui", explicou o economista.
Custo logístico
O impacto externo se soma a uma base já onerosa. Segundo o estudo Custo Brasil, elaborado pelo Movimento Brasil Competitivo em parceria com o Governo Federal e com apoio técnico da FGV, os entraves estruturais chegam ao valor de R$ 1,7 trilhão por ano.
Entre os principais componentes desse custo estão o custo logístico adicional, de R$ 226,4 bilhões anuais, o custo extra de financiamento, de R$ 113,8 bilhões, o risco-país, de R$ 128,4 bilhões, e também a complexidade tributária, de R$ 67,2 bilhões. "A gente já tem um custo logístico muito alto. Então qualquer aumento adicional acaba sendo um fator negativo pra gente", avaliou Tobler.
O economista pondera que o conflito ocorre em um momento em que havia expectativa de redução gradual da taxa de juros ao longo do ano. "A gente estava num momento em que tinha expectativa de reduzir juros e melhorar o ambiente de negócio. Com toda essa turbulência global, é possível que o Banco Central fique um pouco mais cauteloso."
Caso a inflação volte a pressionar, a queda dos juros pode ser adiada. "Se a gente continuar tendo juros mais altos por mais tempo, isso acaba sendo um freio para a economia", alertou.
Ritmo de crescimento
O PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE. Para 2026, a expectativa era de crescimento próximo de 2%. A combinação de petróleo elevado, dólar mais forte e juros altos pode reduzir esse ritmo. "Se vier um dólar mais forte, juros mais altos por mais tempo e inflação incomodando, isso acaba tendo um efeito negativo pro PIB do país", explicou Tobler.
O especialista em direito tributário e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, afirma que ainda é possível que este cenário melhore. "Tudo depende da evolução do conflito. Se a tensão diminuir, o preço do petróleo pode recuar. Mas se o risco continuar nessa região estratégica, alguns analistas já falam na possibilidade de o barril chegar perto de 100 dólares."
"O Oriente Médio pode parecer distante no mapa, mas quando a crise envolve petróleo, ela acaba chegando aqui na forma de combustível mais caro, frete mais caro e pressão nos preços do dia a dia", destaca Tonegutti.
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