A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apontou que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, movimentou cerca de R$ 19,5 milhões em uma conta bancária entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026. Os dados constam de extratos analisados pelo colegiado após a aprovação da quebra de sigilo bancário do empresário, no âmbito das investigações sobre fraudes em benefícios previdenciários.
As revelações foram feitas antes que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinasse a suspensão da quebra de sigilo bancário do empresário e de outras pessoas. A quebra de sigilo havia sido aprovadaa em uma votação conjunta de 87 medidas contra investigados. Dino entendeu que a votação em globo foi "equivocada" e justificou ser "impossível — inclusive em face do princípio lógico da não contradição — que o referido ato seja nulo para alguns e válido para outros."
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De acordo com os registros, foram identificados R$ 9,77 milhões em créditos — valores que entraram na conta — e R$ 9,75 milhões em débitos, referentes a transações realizadas em uma conta no Banco do Brasil entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro deste ano. Entre as operações identificadas estão movimentações financeiras entre empresas ligadas ao empresário e pagamentos relacionados a antigos negócios.
Os documentos analisados pela CPMI também registram três transferências feitas por Lula ao filho, que somam aproximadamente R$ 721,3 mil. A maior delas, no valor de R$ 384 mil, ocorreu em julho de 2022, antes do início da campanha presidencial daquele ano. Outras duas transferências foram registradas em dezembro de 2023, já no primeiro ano do atual mandato do presidente.
A defesa de Lulinha afirma que não há irregularidades nas movimentações e sustenta que os recursos têm origem lícita. Segundo os advogados, não existe qualquer elemento que vincule os valores a fraudes investigadas pela CPMI do INSS, que apura suspeitas de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. De acordo com a explicação apresentada, as transferências feitas por Lula correspondem a adiantamentos de herança, ressarcimento de despesas feitas durante o período em que o presidente esteve preso ou empréstimos relacionados à empresa L.I.L.S. Palestras, da qual o empresário possui participação societária.
Os dados analisados pela comissão indicam ainda que grande parte das movimentações financeiras está ligada a rendimentos de investimentos e operações entre empresas do próprio empresário, como a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia. Também foram identificados pagamentos que somam mais de R$ 1,4 milhão a antigos sócios da extinta Gamecorp, entre eles Jonas Suassuna Filho e Kalil Bittar.
O avanço das investigações ocorre em meio a um ambiente de disputa política no Congresso. O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que as apurações podem revelar um esquema mais amplo do que as fraudes inicialmente investigadas no sistema previdenciário. Segundo ele, documentos analisados pela comissão indicariam que as irregularidades podem ser "apenas a ponta de uma série de escândalos", o que, na avaliação do senador, justificaria, inclusive, a criação de uma nova comissão para investigar especificamente operações relacionadas ao Banco Master.
A sessão da CPMI prevista para esta quinta-feira (5) acabou cancelada após o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), informar que não poderia comparecer por motivos de saúde. Segundo nota divulgada pela comissão, o parlamentar apresentou um quadro de sinusite acompanhado de febre, dor de garganta e afonia, o que o impediria de conduzir as oitivas previstas para a reunião.
A decisão provocou reação de parlamentares da base governista. O deputado Rogério Correia (PT-MG) criticou o cancelamento e afirmou que a reunião teria votações consideradas importantes para o andamento das investigações, incluindo pedidos de quebra de sigilo relacionados a pessoas citadas em apurações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em operações da Polícia Federal sobre o Banco Master.
Na avaliação do parlamentar petista, os novos desdobramentos das investigações indicariam a existência de um "núcleo central" de relações políticas e financeiras envolvendo o banco e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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