O faturamento do varejo brasileiro caiu 3% em fevereiro, já descontada a inflação, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado indica que o consumo das famílias segue pressionado neste início de 2026.
Entre os fatores que limitaram as compras estão a inflação mais alta e despesas típicas do começo do ano, como reajustes de mensalidades escolares e aumento nos preços de passagens aéreas e combustíveis. Com o orçamento mais comprometido, consumidores concentraram gastos em itens considerados essenciais.
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Mesmo com leve crescimento do varejo físico, o desempenho geral foi afetado pela queda nas vendas pela internet e pela retração em setores ligados a compras de maior valor.
Compras on-line recuam pelo segundo mês
O comércio presencial registrou alta nominal de 0,8% em fevereiro, o que ajudou a amenizar o resultado geral. Já o comércio eletrônico teve queda de 0,9% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Foi o segundo mês consecutivo de retração nas vendas on-line.
Segmentos que dependem mais do chamado consumo discricionário, quando o consumidor decide comprar algo que não é essencial, sentiram mais o impacto. Isso ocorreu principalmente nos setores de bens duráveis e semiduráveis, como produtos de maior valor.
Carnaval impulsiona viagens e deslocamentos
O carnaval teve impacto direto em parte da atividade econômica. O período aumentou a demanda por viagens e deslocamentos, o que impulsionou o setor de turismo e transporte, com destaque para a venda de passagens aéreas.
O movimento também pode ter favorecido o comércio físico em setores de consumo cotidiano, como supermercados, farmácias e drogarias, que costumam registrar maior fluxo em períodos festivos.
Mesmo assim, outros segmentos ligados a compras planejadas tiveram queda nas vendas, entre eles materiais de construção, óticas e joalherias.
Todos os setores e regiões registram retração
Descontada a inflação, todos os macrossetores do varejo apresentaram queda em fevereiro.
O setor de serviços caiu 5,2%. Dentro dele, turismo e transporte tiveram desempenho positivo, enquanto estética e cabeleireiros registraram retração.
Bens não duráveis, como produtos de consumo cotidiano, tiveram recuo de 0,4%. Houve crescimento em veterinárias e pet shops, mas queda nas vendas de cosméticos e itens de higiene pessoal.
A maior retração ocorreu em bens duráveis e semiduráveis, com queda de 7,5%, influenciada principalmente pelos setores de óticas, joalherias e materiais de construção.
Todas as regiões do país também registraram redução nas vendas em termos reais.
Poucos estados escapam da queda
No recorte estadual, poucos estados apresentaram crescimento nas vendas.
O Amapá registrou a maior alta, de 1,04%, seguido por Alagoas, com avanço de 0,48%. Minas Gerais apareceu entre os melhores desempenhos relativos, mas ainda assim teve leve retração de 0,89%.
Entre os piores resultados estão Sergipe, com queda de 5,23%, e Pernambuco, com recuo de 5,33%. O maior tombo foi registrado no Piauí, onde as vendas do varejo caíram 6,39%.
Inflação pressiona poder de compra
A inflação também ajudou a reduzir o espaço para consumo. O IPCA-15, indicador que mede a variação de preços ao consumidor, subiu 0,84% em fevereiro, maior alta para o mês desde 2025. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,10%.
O grupo Educação teve aumento de 5,20%, refletindo o reajuste das mensalidades escolares. Transportes subiu 1,72%, influenciado principalmente pela alta de 11,64% nas passagens aéreas e pelo aumento de 1,38% nos combustíveis.
Também houve aumento em saúde e cuidados pessoais, enquanto o único grupo com queda de preços foi o de vestuário.
