Em fato relevante, divulgado na noite desta sexta-feira (20/3), o Banco de Brasília (BRB) negou que esteja tentando convencer o Banco Central a adiar a divulgação do balanço de 2025 para junho, a fim de evitar que a autoridade monetária seja obrigada a tomar medidas drásticas.
Ao mencionar uma publicação do jornal O Globo, em resposta ao questionamento feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sobre a matéria sob o título "BRB quer adiar para junho prazo para cobrir rombo", o BRB afirmou em nota que “entende que a notícia se baseia em interpretação de terceiros que não configuram, neste momento, fato relevante, por não representar decisão definitiva nem produzir efeitos concretos e imediatos sobre a companhia”.
“A companhia esclarece que mantém interlocução constante com os órgãos reguladores, inclusive o Banco Central do Brasil, prática comum no mercado”, destacou o comunicado do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
“O BRB reforça que a divulgação das demonstrações financeiras ocorrerá após a conclusão dos trabalhos e a devida validação das informações necessárias, assegurando plena observância às normas regulatórias e contábeis aplicáveis”, acrescentou o documento.
O prazo estipulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a divulgação do balanço de 2025 termina em 31 de março, e, normalmente, atrasos implicam multas.
Perdas bilionárias
Após registrar perdas bilionárias em operações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 em meio ao escândalo de fraudes envolvendo o dono da instituição privada, Daniel Vorcaro, o BRB tenta um socorro do GDF para conseguir empréstimos para equilibrar o rombo de, pelo menos, R$ 6,6 bilhões, utilizando imóveis distritais como garantias.
A inclusão de um dos imóveis listados na operação, na região da Serrinha do Paranoá, está sendo questionada na Justiça, inclusive.
Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de compra do Master, mas a operação foi vetada pelo BC em setembro. No mesmo dia da liquidação do Master pelo BC, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e identificou fraudes no valor de R$ 12,2 bilhões em títulos podres do banco privado vendidos ao BRB.
Essa operação de socorro ao banco distrital por meio de uma espécie de capitalização é vista com cautela pelo contador e especialista em mercados de capitais Antônio Maciel. Segundo ele, do ponto de vista regulatório, imóveis ajudam pouco nos índices de Basileia, que são justamente os que determinam se o banco pode continuar operando normalmente. “Sem capital de qualidade, o banco ficaria travado: não conseguiria expandir crédito, enfrentaria restrições severas do regulador e, na prática, teria suas operações bastante limitadas”, frisou.
Segundo rebaixamento
No mesmo mês, a Fitch Rating rebaixou o rating do banco público e, na noite de ontem, foi a vez da Standard & Poor 's (S&P)rebaixar a classificação do BRB de brBB para brB-. O rating de curto prazo foi mantido em brB.
As duas notas ainda permanecem com perspectiva negativa. No comunicado, a S&P informou que a medida reflete "o aumento das incertezas jurídicas e políticas em torno do plano de capitalização da instituição controlada pelo GDF".
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Veja a íntegra da nota do BRB
O BRB – Banco de Brasília S.A. (“BRB” ou “Companhia”), em atendimento ao Ofício nº 114/2026/CVM/SEP/GEA-1 e à Resolução CVM nº 44/2021, vem prestar esclarecimentos acerca de matéria veiculada pelo jornal O Globo, sob o título “BRB quer adiar para junho prazo para cobrir rombo”.
A Companhia esclarece que mantém interlocução constante com os órgãos reguladores, inclusive o Banco Central do Brasil, prática comum no mercado. O BRB reforça que a divulgação das Demonstrações Financeiras ocorrerá após a conclusão dos trabalhos e a devida validação das informações necessárias, assegurando plena observância às normas regulatórias e contábeis aplicáveis.
Diante disso, a Companhia entende que a notícia se baseia em interpretação de terceiros que não configuram, neste momento, Fato Relevante, por não representar decisão definitiva nem produzir efeitos concretos e imediatos sobre a Companhia.
O BRB reafirma seu compromisso com a transparência e manterá o mercado devidamente informado sobre eventuais desdobramentos, conforme a regulamentação aplicável.
BRB - Banco de Brasília S.A.
Antônio José Barreto de Araújo Júnior
Diretor Executivo de Finanças e Controladoria
Diretor de Relações com Investidores
Iure Cavalcante Oliveira
Gerente de Relações com Investidores
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