Endividamento

Desenrola 2.0 aguarda apenas retorno de Lula

Presidente, que está na Europa, precisa dar aval para o programa de renegociação de dívidas que, segundo Durigan, está pronto

Na entrevista em que fez um balanço da viagem a Washington, Dario Durigan informou que o programa de renegociação será feito em três etapas -  (crédito: Divulgação/MF)
Na entrevista em que fez um balanço da viagem a Washington, Dario Durigan informou que o programa de renegociação será feito em três etapas - (crédito: Divulgação/MF)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou, ontem, que o novo programa de renegociação de dívidas dos brasileiros está estruturado e já conta com alinhamento junto às principais instituições financeiras. Em conversa com a imprensa em Washington, onde participou da Reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), ele afirmou que o novo programa de renegociação de dívidas do governo pode ser apresentado em fases, uma vez que existem três grupos a serem beneficiados: famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas.

"Vamos apresentar a parte da família, no primeiro momento, depois dos informais, depois das empresas, mas tem essas três frentes que nós estamos trabalhando, famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas", disse Dario.

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O ministro reforçou que o programa aguarda apenas o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser apresentado. "O anúncio está pronto hoje. Aí, se o presidente, voltando semana que vem, entender que o caso é de fazer semana que vem, nós estamos prontos para fazer", afirmou.

Chamado Desenrola 2.0 — em referência à plataforma lançada em 2023 — o programa deverá ser anunciado após o retorno de Lula da agenda internacional iniciada ontem na Europa e que se ecerrará no dia 21 de abril, com compromissos na Espanha, Alemanha e Portugal.

Para  Durigan, o objetivo principal do programa é a diminuição da dívida das linhas caras, como cartão de crédito. "O que a gente vai fazer é mobilizar a garantia de modo que os próprios bancos consigam dar um desconto e depois refinanciem a um juros mais barato uma dívida diminuída. Então, com garantias do Tesouro no caso de inadimplemento", explicou o ministro.

Cenário

A mais recente pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), de março, mostra que o endividamento chega a 80,4% dos lares.

No caso das empresas, a inadimplência registrou alta de 13,92%, consolidando um cenário de pressão financeira sobre os negócios. No acumulado de 12 meses, o crescimento foi de 12,65%.

O movimento ocorre em um contexto marcado por juros elevados, crédito mais caro e deterioração das condições financeiras das famílias — combinação que impacta diretamente o fluxo de caixa das empresas. A relação entre os dois fenômenos, segundo especialistas, é direta.

"Um puxa o outro. Em um cenário econômico como o atual, as empresas precisam se ajustar, o que pode levar ao crescimento da inadimplência. Como o consumidor também enfrenta dificuldades financeiras, a capacidade de pagamento das empresas acaba sendo impactada", afirma João Paulo Travasso Cardoso, coordenador de pré e pós-vendas do SPC Brasil.

O setor de Serviços concentra a maior fatia das empresas inadimplentes, com cerca de 39% do total. O segmento também apresentou crescimento próximo de 8% em relação a fevereiro do ano passado. A maior exposição à inflação recente ajuda a explicar a vulnerabilidade financeira dessas atividades, que dependem diretamente do consumo das famílias.

A deterioração do cenário é reforçada pelos indicadores de endividamento da população. Dados de diferentes instituições, como Banco Central, Serasa e Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontam níveis recordes tanto no comprometimento de renda quanto no atraso no pagamento de dívidas. Em uma década, a inadimplência cresceu 38% no país, segundo a Serasa.

Diante desse quadro, o Banco Central tem alertado para o avanço do superendividamento, considerado um problema crescente no Brasil. Estima-se que mais de 80 milhões de brasileiros estejam inadimplentes, evidenciando a dimensão do desafio. A pressão sobre as famílias, por sua vez, retroalimenta a fragilidade das empresas, sobretudo aquelas mais dependentes do consumo doméstico. Nesse ambiente, especialistas recomendam reforço no controle financeiro e monitoramento rigoroso da carteira de clientes.

Com juros elevados, empresas têm buscado acordos mais cedo para evitar o agravamento das pendências. "Hoje o timing da renegociação mudou. As empresas estão buscando acordos mais cedo, porque os juros altos corroem a capacidade de pagamento com o passar do tempo", explica João Paulo.

 


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postado em 18/04/2026 03:53
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