CB.PODER

CBIC vê com ressalvas uso do FGTS para quitar dívidas, diz Aroeira

Vice-presidente financeiro da Câmara Brasileira da Indústria da Construção critica uso do fundo no Desenrola 2.0 e alerta para impactos no financiamento habitacional e no Minha Casa, Minha Vida

"Será que vale a pena prejudicar a única ferramenta de atendimento de habitação para os mais necessitados que nós temos, que é o FGTS, por conta de R$1.000?", indagou - (crédito: Reprodução)

O vice-presidente financeiro da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, afirmou nesta terça-feira (5/5), em entrevista ao programa CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília —, que vê com ressalvas o Desenrola 2.0. Segundo ele, a proposta de usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), principal fonte de financiamento da construção civil, acende um alerta no setor.

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Em conversa com as jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, Aroeira diz que é importante falar sobre o endividamento das famílias, mas que o setor de construção gostaria de refletir se a utilização do FGTS é a solução ideal que traria benefício para o país. 

“O pessoal acha que o FGTS só pode ser usado para comprar imóveis, muitas vezes imóveis de até 750 mil. Aí pensa: ‘Não, que mal tem usar o FGTS para pagar uma dívida que eu tenho?’. O problema é que o FGTS é o principal recurso de financiamento das principais obras, por exemplo, do Minha Casa, Minha Vida, que aumentou o teto”, revelou. 

O convidado ressalta que a CBIC acredita que não é uma boa ideia utilizar o FGTS para pagar as dívidas pois, pelo que foi anunciado, pode ser utilizado até  R$1.000 do fundo de garantia para pagamento de dívida ou até 20% da mesma — o que for maior — e pelos dados que se tem, o endividamento médio do brasileiro é cerca de R$6.300. 

“O grande problema é esse: será que vale a pena prejudicar a única ferramenta de atendimento de habitação para os mais necessitados que nós temos, que é o FGTS, por conta de R$1.000? A nossa dúvida é essa e temos colocado isso com firmeza”, falou. 

De acordo com o vice-presidente, é preciso atacar as causas do endividamento, e não apenas as dívidas, já que o problema é antigo e não foi resolvido pela primeira edição do Desenrola, sendo de natureza estrutural.

O entrevistado se mostrou a favor do aumento do teto do Minha Casa, Minha Vida, pois houve a elevação do teto e a disponibilização do fundo do pré-sal, que ampliou a quantidade de recursos. Isso fez com que uma parte da população, que é a classe média e que estava alijada de financiamentos com taxas de juros melhores, pudesse agora adquirir esses financiamentos e fazer com que a prestação da tão sonhada casa própria caiba no seu bolso novamente. 

“A solução estrutural é somente a redução da taxa de juros via Selic, mas essa solução foi muito engenhosa e traz muito otimismo para o setor da construção e, principalmente, para as famílias de classe média”, afirmou.

Veja a entrevista completa:

*Estagiário sob supervisão de Rafaela Gonçalves 

 

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CY
postado em 05/05/2026 16:21
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