
O preço do petróleo voltou a subir em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e à ausência de sinais concretos de uma trégua entre Estados Unidos, Israel e Irã. O movimento elevou a preocupação dos mercados internacionais com possíveis impactos sobre o abastecimento global de energia e provocou forte volatilidade nas negociações da commodity. O barril do tipo Brent, referência internacional para o mercado, atingiu US$ 111,89, o maior patamar em quase duas semanas.
A nova disparada ocorre em um momento de crescente instabilidade na região do Golfo Pérsico, especialmente em torno do estreito de Ormuz, corredor marítimo considerado estratégico para o comércio global de energia. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa diariamente pela rota, utilizada principalmente por grandes produtores do Oriente Médio.
O temor do mercado é que uma escalada militar mais intensa possa comprometer o fluxo de embarcações na região, pressionando ainda mais os preços internacionais da commodity e ampliando riscos inflacionários em diferentes economias.
A tensão aumentou após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo. Em publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que "o relógio está correndo" para um acordo de paz com o Irã e disse que Teerã deveria agir "rápido, senão não sobrará nada deles".
As falas foram interpretadas pelo mercado como um indicativo de endurecimento da posição americana diante do conflito, aumentando as incertezas sobre uma possível solução diplomática no curto prazo.
Para o analista da StoneX, Álvaro Maia, a combinação de petróleo em alta, temores inflacionários e a perspectiva de juros elevados por mais tempo domina o cenário macroeconômico. "O Brent permanece próximo de US$ 110, refletindo os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz. Mesmo sem um bloqueio total da rota, restrições parciais já são suficientes para elevar a percepção de risco inflacionário e pressionar os mercados", afirma.
Segundo o analista, o avanço do petróleo ocorre em paralelo à alta dos juros globais, com os títulos do Tesouro americano de longo prazo voltando a operar próximos de 5%, reforçando o ambiente de "higher for longer". "A combinação entre energia mais cara e juros elevados aumenta a aversão ao risco e amplia a pressão sobre ativos de países emergentes", destaca Maia.
No Brasil, acrescenta, o ruído político volta a impactar juros, câmbio e bolsa. "A energia continua sendo o principal vetor inflacionário das commodities, enquanto os grãos sofrem pressão baixista com melhora climática nos Estados Unidos e movimentos de desalavancagem dos fundos", conclui.
Desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, o petróleo Brent acumula valorização superior a 50%. Na ocasião, o barril era negociado próximo dos US$ 70, patamar considerado mais confortável para o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Estreito
Além da pressão geopolítica, investidores acompanham os desdobramentos sobre a administração do estreito de Ormuz. Em meio à instabilidade, o governo iraniano anunciou a criação de uma autoridade responsável pela gestão da região. Segundo Teerã, o órgão ficará encarregado de divulgar informações em tempo real sobre operações marítimas, fluxo de navios e condições de segurança no corredor estratégico.
Apesar do aumento da tensão militar e diplomática, o governo iraniano afirmou que continua negociando com os Estados Unidos uma possível proposta de paz. Um dos principais impasses segue sendo o programa nuclear iraniano, especialmente o enriquecimento de urânio. O governo do Irã declarou que o tema é uma questão de soberania nacional e que decisões sobre o programa nuclear não dependem da autorização de potências estrangeiras.
A escalada do petróleo também reacende preocupações sobre os impactos econômicos globais da crise. Preços mais altos da commodity costumam pressionar combustíveis, fretes, energia elétrica e cadeias produtivas em diversos países, elevando riscos para a inflação e dificultando o trabalho de bancos centrais no controle dos preços.
“Quando o petróleo sobe de forma consistente, o primeiro efeito é inflacionário. Mas ele não para aí. Energia, transporte e produção industrial dependem diretamente do petróleo. Com custos maiores, as empresas reduzem margem, reavaliam investimentos e o consumo desacelera como consequência”, explicou Luciano Carlos Fracola, gerente de assessoria aduaneira do Fiorde Group.

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