Relações exteriores

Tarifaço: governo não recuou sobre reciprocidade, diz ministro

Márcio Elias Rosa diz que a lei continua à disposição, mas que o Brasil seguirá priorizando a negociação com os Estados Unidos antes de adotar medidas

"O governo não recuou um centímetro daquilo que divulgou e da orientação do presidente Lula", disse o ministro da Indústria - (crédito: Agência Brasil )

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22/7) que o governo federal mantém a estratégia de negociar com os Estados Unidos antes de recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. Segundo ele, o instrumento continua disponível, mas sua aplicação dependerá da evolução das tratativas entre os dois países.

“O governo não recuou um centímetro daquilo que divulgou e da orientação do presidente Lula. Dizer que nós temos a lei é diferente de aplicar a medida de reciprocidade. A lei nos dá a possibilidade de aplicação. Ela envolve também a construção de procedimentos para chegar a uma medida eventual”, afirmou em coletiva de imprensa do anúncio do Plano Brasil Soberano.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O ministro reforçou que, neste momento, o Executivo não vê necessidade de adotar medidas retaliatórias e seguirá priorizando o diálogo diplomático. “Acabamos de ouvir o presidente Lula falando que é preciso negociar, negociar e negociar. É óbvio que todos também sabem que, se houver necessidade, na forma de adequação necessária, a lei será empregada”, disse.

Márcio Elias Rosa destacou ainda que houve compromisso mútuo para a continuidade das negociações e indicou que novas conversas devem ocorrer nos próximos dias. “Foi recíproco o compromisso de continuarmos negociando. Daqui a pouco, daqui a algum tempo, nós vamos voltar a conversar”, afirmou.

Além da sobretaxa que entra em vigor nesta quarta-feira, o Brasil ainda aguarda o desfecho de outra frente de pressão comercial dos Estados Unidos. Até sexta-feira (24), o governo norte-americano deve anunciar o resultado da investigação sobre supostas práticas de trabalho forçado no país.

Caso sejam impostas novas sanções, uma tarifa adicional de 12,5% poderá incidir sobre produtos brasileiros, elevando a sobretaxa total para até 37,5% em alguns setores e ampliando a pressão sobre as exportações nacionais.

Ao comentar o calendário das medidas comerciais em curso, o ministro da Indústria citou três marcos considerados importantes pelo governo para a sequência das negociações. “Nós temos pelo menos três datas. Uma hoje, que entrou em vigor e foi publicada na imprensa oficial norte-americana a medida. Na sexta-feira, do trabalho forçado, deve sair a resposta da 301, e no dia 29 encerra o prazo para aquelas mercadorias e bens que estão em trânsito. Vencidos esses três marcos, é possível que nós voltemos a dialogar”, explicou.

Segundo Elias Rosa, os canais de comunicação entre Brasil e Estados Unidos permanecem abertos e podem ocorrer em diferentes níveis de interlocução. “Há muitas formas de negociação, que vão desde mensagem de WhatsApp até as reuniões formais, e isso vai voltar a acontecer. A expectativa é que aconteça em breve”, concluiu.

 

  • Google Discover Icon
postado em 22/07/2026 17:41 / atualizado em 22/07/2026 17:43
x