
A Amcham Brasil vê com preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada nesta quinta-feira, (23/7), de aplicar sobretaxa de 12,5% a produtos importados do Brasil, como resultado da investigação da Seção 301 sobre bens produzidos com trabalho forçado, e alerta para os possíveis desdobramentos.
Em nota, a entidade avalia que a medida agrava as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, ao alcançar cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos.
"Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% - um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais", calcula.
Para a Amcham, o cenário compromete ainda mais a competitividade das exportações brasileiras para o país e tende a aprofundar a trajetória de retração do comércio bilateral. "Também poderá elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos, fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar os investimentos bilaterais", acrescenta.
A reversão desse cenário "passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos", na ótica da Amcham, que defende o entendimento bilateral como o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos.
A entidade avalia que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos. "A entidade reforça o pedido de continuidade das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos como solução para reverter as sobretaxas, ampliar a previsibilidade para empresas e investidores e avançar na construção de uma agenda bilateral positiva", diz a nota.

Economia
Economia
Economia
Economia
Economia
Economia