IPCA-15

Prévia da inflação surpreende mercado e reforça expectativa de corte de juros

Deflação dos alimentos puxou desaceleração do IPCA-15 e aumentou as apostas em corte dos juros pelo Banco Central na próxima semana

A próxima reunião do Copom, que decidirá o rumo da taxa básica de juros, está marcada para os dias 4 e 5 de agosto -
A próxima reunião do Copom, que decidirá o rumo da taxa básica de juros, está marcada para os dias 4 e 5 de agosto -

A desaceleração da prévia da inflação oficial para 0,06% em julho surpreendeu analistas, que esperavam um resultado mais elevado. Para economistas, a queda nos preços dos alimentos foi o principal fator por trás do desempenho abaixo das expectativas e reforçou a percepção de que a inflação começa a dar sinais mais consistentes de arrefecimento.

"O IPCA-15 veio abaixo da mediana das projeções do mercado e mostrou uma composição bastante favorável, com destaque para a deflação de 1,14% na alimentação no domicílio", afirma o economista do PicPay, Matheus Pizzani. Segundo ele, além da redução nos preços de proteínas, a forte queda de tubérculos, raízes e legumes contribuiu para ampliar o alívio observado em junho.

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Na avaliação do economista, o movimento deve se intensificar no IPCA fechado de julho. "Os indicadores antecedentes e os preços no atacado sugerem que a alimentação no domicílio continuará puxando a inflação para baixo", diz.

Pizzani também destaca que a nova queda dos combustíveis, favorecida pela maior oferta de etanol durante a safra da cana-de-açúcar, ajudou a conter a inflação, mesmo com a alta das passagens aéreas. Além disso, os núcleos de inflação — indicadores que desconsideram itens mais voláteis — também apresentaram melhora, sinalizando uma desaceleração mais disseminada dos preços.

"Os dados indicam que a desaceleração da atividade econômica já começa a produzir efeitos sobre a inflação, especialmente nos bens industriais, enquanto a inflação de serviços tende a perder força de forma mais gradual", afirma.

Copom

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá o rumo da taxa básica de juros, está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Na avaliação do economista, o resultado do IPCA-15 amplia o espaço para que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de flexibilização monetária. 

"O dado reforça a perspectiva de que o Banco Central possui espaço para seguir com a calibragem da política monetária na próxima reunião, embora o cenário ainda exija cautela devido à persistência da inflação de serviços", diz Pizzani. 

Na mesma linha, o economista da MAG Investimentos, Rafael Rondinelli, avalia que o resultado veio significativamente abaixo da expectativa da instituição, que projetava alta de 0,19%. Segundo ele, a melhora foi disseminada entre os principais indicadores de inflação, com recuo dos núcleos e do índice de difusão, que mostrou que menos da metade dos itens pesquisados registrou aumento de preços.

Apesar da leitura mais favorável, Rondinelli pondera que o cenário ainda inspira cautela. "O IPCA-15 de julho não altera nossa visão de um quadro inflacionário ainda pressionado. No entanto, o resultado reforça nossa expectativa de corte da taxa Selic na próxima reunião do Copom", ressalta.

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postado em 28/07/2026 10:24 / atualizado em 28/07/2026 10:27
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