Relações Exteriores

Fiesp atribui tarifa dos EUA a desgaste diplomático e cobra diálogo

Entidade afirma que sobretaxa reduz a competitividade da indústria brasileira, diz que medida poderia ter sido evitada e anuncia atuação para ampliar a lista de produtos isentos nos Estados Unidos

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova sobretaxa sobre produtos brasileiros e atribuiu a medida ao desgaste das relações diplomáticas entre os dois países. Em nota divulgada nesta quinta-feira (16/7), a entidade afirmou que a tarifa, aplicada exclusivamente ao Brasil, reduz a competitividade das exportações nacionais em relação aos concorrentes internacionais e representa um duro golpe para a indústria.

Segundo a Fiesp, a adoção da sobretaxa ocorre em um momento de elevada instabilidade econômica global e poderia ter sido evitada com uma condução "técnica e pragmática" das negociações bilaterais. 

A entidade avaliou que "ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington" comprometeram uma relação comercial construída ao longo de mais de dois séculos.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou que o impacto da medida será mais intenso sobre os produtos de maior valor agregado exportados aos EUA. "O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo 'pedágio' imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", afirmou.

A federação informou ainda que continuará atuando junto a interlocutores nos Estados Unidos para tentar reverter ou reduzir os efeitos da medida. Segundo a entidade, o objetivo é ampliar a lista de produtos isentos da sobretaxa por meio da diplomacia empresarial e do diálogo com parceiros norte-americanos.

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