BALANÇA COMERCIAL

Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% até julho

Vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 20,95 bilhões no período, enquanto produtos submetidos a sobretaxas recuaram 14,4%

Retração das exportações brasileiras atingiu tanto os produtos sem sobretaxa quanto aqueles submetidos às tarifas adicionais aplicadas pelo mercado norte-americano

 -  (crédito: Departamento de Segurança Interna dos EUA)
Retração das exportações brasileiras atingiu tanto os produtos sem sobretaxa quanto aqueles submetidos às tarifas adicionais aplicadas pelo mercado norte-americano - (crédito: Departamento de Segurança Interna dos EUA)

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 20,95 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado representa uma redução de US$ 2,8 bilhões nas vendas e o menor valor exportado pelo Brasil ao mercado norte-americano desde 2023.

As importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos totalizaram US$ 23,22 bilhões no acumulado do ano. De acordo com os dados das tabelas, houve retração de 10,4% nas compras em relação ao mesmo período de 2025. Com o resultado, o deficit comercial brasileiro com os Estados Unidos aumentou 122,3%, chegando a US$ 2,3 bilhões.

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Os dados são do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com base em informações do Comexstat.

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Apesar da retração nos fluxos comerciais, os Estados Unidos permaneceram como o segundo principal destino das exportações brasileiras e a segunda principal origem das importações do país. No acumulado até julho, a China liderou os dois rankings, com US$ 69,02 bilhões em exportações brasileiras e US$ 44,96 bilhões em importações.

A retração das exportações brasileiras atingiu tanto os produtos sem sobretaxa quanto aqueles submetidos às tarifas adicionais aplicadas pelo mercado norte-americano. Os bens que não estão sujeitos a sobretaxas movimentaram US$ 11,10 bilhões até julho, queda de 9,7%. Já os produtos sobretaxados somaram US$ 9,84 bilhões, recuo de 14,4%.

Entre os produtos sujeitos a sobretaxas de 12,5%, as exportações caíram 3,8%, para US$ 927,8 milhões. Já os bens submetidos a tarifas entre 25% e 37,5% tiveram retração de 31,5%, totalizando US$ 3,15 bilhões.

Para o professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri, o fato de a queda nas exportações para os EUA ter sido maior nos produtos sobretaxados mostra o real peso da tarifa. “Na prática, o exportador perde margem, porque divide o custo da tarifa com o importador para não perder espaço, ou perde volume. Quem tem uma pauta concentrada nos EUA sofre mais”, explica.

Segundo Pieri, o impacto na balança comercial é administrável, o Brasil perde receita em dólar e o deficit aumenta, mas que a China segue como o principal destino e acaba por amortecer esse efeito. Para ele, o problema não é no valor total de exportações, mas sim, um problema regional que se concentra em cadeias produtivas e municípios que dependem da demanda norte-americana.

O economista ressalta que as ações para conter os impactos possíveis impactos devem funcionar em 3 frentes, negociação, diversificação e apoio. “Negociação, porque a sobretaxa tem componente político e reduzi-la é o caminho mais rápido. Diversificação de mercados, com acordos comerciais efetivos e abertura sanitária e regulatória para novos destinos. E apoio transitório e focalizado às empresas atingidas, sem virar subsídio permanente”, argumenta.

Os produtos enquadrados na Seção 232 apresentaram queda de 2,8%, para US$ 5,76 bilhões. Dentro desse grupo, aço e alumínio foram os únicos a registrar crescimento, de 3,2%, alcançando US$ 4,60 bilhões. Outros segmentos tiveram quedas expressivas, como caminhões e madeira, ambos com recuo de 41,3%, e cobre, que caiu 35,9%.

Entre os dez principais produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos nos primeiros sete meses do ano, quatro apresentaram queda nas exportações ao mercado norte-americano mesmo com crescimento das vendas desses mesmos produtos para o restante do mundo: óleos brutos de petróleo, semimanufaturados de ferro e aço, ferro-gusa e celulose.

Os óleos brutos de petróleo lideraram o ranking, com US$ 2,23 bilhões, apesar da queda de 25,5%. Na segunda posição ficaram os semi-acabados de ferro ou aço, com US$ 1,96 bilhão, recuo de 11,1%.

O especialista em comércio exterior, Másimo Della Justina, por sua vez, acredita que quem paga a conta da tarifa é o consumidor americano e o exportador brasileiro também não ganha nada de adicional com a situação, mesmo que exporte pelo mesmo preço anterior à tarifa. “Tarifas de importação sempre perturbam a competitividade dos produtos exportados quando entram nos EUA, cujo governo federal é o único quem ganha”, conta.

Para Della Justina, com as exportações brasileiras cada vez mais caras nos EUA, é normal que os consumidores do país passem a comprar produtos e matérias-primas substitutas de outros fornecedores ao redor do mundo. Com isso, Másimo explica que o resultado é prejudicial à economia brasileira e favorável aos fornecedores que vão substituir o material produzido no Brasil por outro que não terá de pagar impostos.

*Estagiário sob a supervisão de Victor Correia

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postado em 11/08/2026 15:37 / atualizado em 12/08/2026 14:09
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