
O mau humor dos investidores tomou conta do mercado financeiro com a proximidade das eleições e as ameaças de retaliação do Brasil contra os Estados Unidos. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) vem acumulando quedas consecutivas nos últimos dias e o dólar voltou a se valorizar retornando ao patamar de R$ 5,20.
Ontem, o Índice Bovespa (IBovespa) encerrou com queda de 0,10%, aos 166.934 pontos. No mês a B3 acumula desvalorização de 6,22%. Enquanto isso, o dólar registrou a quinta alta consecutiva, ontem, terminou o pregão com alta de 0,52%, a R$ 5,219 - maior valor de fechamento desde 30 de março (R$ 5,248). A Bolsa brasileira já acumula nove quedas seguidas e a saída de estrangeiros somava a retirada de R$ 13,5 bilhões de investimentos em ações na B3 até o último dia 12.
A decisão do governo brasileiro de iniciar o processo de adoção de mecanismo de reciprocidade contra o tarifaço dos Estados Unidos contribuiu para o aumento da percepção de risco e contribuiu para o nova desvalorização do real frente à divisa norte-americana, aumentando a demanda por hedge (proteção), em razão da maior sensibilidade dos investidores ao ciclo eleitoral, apesar do recuo no discurso de ministros do governo.
As fortes quedas ao longo da semana do Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da B3, também refletem a perspectiva da confirmação de uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está se consolidando nas pesquisas de opinião e também as declarações de líderes do Centrão demonstrando maior aproximação do petista do que do rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A proximidade das eleições vem fazendo com que investidores estrangeiros saiam em debandada da B3 desde o início do mês. “A cerca de 45 dias das eleições, os investidores estão preferindo acompanhar a corrida de fora do país do que posicionado no mercado doméstico”, avaliou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra Investimentos. Segundo ele, essa saída dos estrangeiros da Bolsa não é exclusividade do mercado brasileiro, porque ocorre em outros países vizinhos sul-americanos, inclusive, no México. “Me parece que o mercado brasileiro já está bem em clima eleitoral mesmo”, acrescentou.
Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, além da aproximação das eleições, a saída de estrangeiros da Bolsa também está relacionada com a perspectiva de que, nos Estados Unidos, a piora dos dados do mercado de trabalho e de inflação recentes indicam que os juros não devem voltar a subir a partir de setembro. Segundo ele, a probabilidade de que o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) recuou para 30%. “E o aumento das chances de uma vitória de Lula e a possibilidade de ele continuar com uma política fiscal expansionista tem contribuído para essa fuga do capital externo da Bolsa e para a renda fixa nesse período de transição, que acaba também ajudando a valorizar o dólar com a perspectiva de melhora dos resultados das empresas de tecnologia dos EUA”, explicou.

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