
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (18/8) uma maior atuação do Brasil na exploração e no processamento de minerais críticos, com participação de grandes empresas nacionais, como a Vale e a Petrobras, em cadeias de maior valor agregado. Para ele, o país tem uma “janela de oportunidade” para avançar na industrialização associada à transição energética.
Mercadante afirmou que o Brasil precisa ampliar a atuação em minerais como cobre, lítio e terras raras. Segundo ele, a mineração não deve ser vista apenas como uma atividade voltada à exportação de commodities, mas como uma base para o desenvolvimento industrial.
“O Estado tem que entrar para impulsionar aquilo que é portador de futuro, como são os minerais críticos, minerais estratégicos, e pensar mais no valor agregado e a relação com a indústria. Nós queremos industrializar essa cadeia de valor, nós queremos preencher as lacunas que nós temos no Brasil”, disse durante o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, realizado pela Editora Globo e pela Vale.
O presidente do BNDES também defendeu uma aproximação entre grandes empresas e o Estado para desenvolver cadeias ligadas à transição energética. Ao citar a Petrobras, disse que a companhia não deveria se limitar à produção de energia, mas participar também de etapas de maior valor agregado.
“Está na hora de trazer a Petrobras. Não temos que ir só produzindo energias, nós precisamos vir também produzindo as baterias, células das baterias, vindo de lá para cá e daqui para lá, isso que vai gerar valor agregado”, afirmou.
Sobre as terras raras, Mercadante afirmou que o Brasil deveria avançar na exploração do segmento diante da concentração da produção e do refino na China. “Acho que está na hora de trazer a Petrobras, a Vale, o lítio, a mineração do mundo inteiro está atrás de cobre (...) e tendo que olhar terras raras. É um gigantesco desafio”, destacou.
O executivo também citou a atuação do BNDES no financiamento de empresas menores do setor mineral. Segundo ele, o banco selecionou 56 projetos em uma chamada, que somaram R$ 57 bilhões em demanda de crédito. Do total, 12 projetos estariam em estágio avançado de negociação, com R$ 9 bilhões.
Margem Equatorial
Mercadante também defendeu o avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial e criticou a demora para autorizar novos projetos na região. Segundo ele, o Brasil precisa avaliar o potencial da área diante dos resultados obtidos por países vizinhos.
“Nós demoramos demais para autorizar a Margem Equatorial. Está aí o resultado. Se olhar ali do lado, a Guiana quadruplicou o PIB. A Petrobras, na Colômbia, descobriu o gás que vai abastecer a Colômbia por 10 anos”, comentou.
O presidente do BNDES questionou a demora para a liberação das atividades na região e disse ser favorável ao avanço da exploração. “O que é que nós esperamos 12 anos para poder liberar? Uma coisa que era evidente, que as condições morfológicas, o potencial de petróleo é muito grande. Então tem que resolver os problemas”, declarou.
Ao defender a exploração, Mercadante citou o pré-sal como exemplo de projeto que, segundo ele, combinou estudos geológicos e medidas de proteção ambiental. “Igualmente a Petrobras. Todo estudo geológico que foi feito, a proteção ambiental, as medidas que ela se comprometeu, aquilo deu segurança para você autorizar e o resultado está aí. O pré-sal já mostra o caminho”, afirmou.
Mercadante também defendeu a revisão das regras sobre cavidades naturais subterrâneas para dar maior previsibilidade a projetos estruturantes de mineração. “Está na hora de resolver o decreto das cavidades, em cima de um projeto estruturante de desenvolvimento do Brasil”, disse.

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