Mineração

Vale propõe plano para destravar mineração e ampliar empregos até 2035

Estudo prevê potencial de 5,3 milhões de vagas e R$ 1,3 trilhão em arrecadação até 2035, com foco em minerais críticos, terras raras, infraestrutura e mudanças regulatórias

CEO da Vale, Gustavo Pimenta  -  (crédito: José Palma/ Vale)
CEO da Vale, Gustavo Pimenta - (crédito: José Palma/ Vale)

A Vale apresentou nesta terça-feira (18/8), em Brasília, um plano para destravar investimentos na mineração brasileira e ampliar o aproveitamento do potencial do país em minerais críticos e estratégicos, incluindo terras raras. Elaborado com a consultoria Accenture, o estudo reúne 15 iniciativas em quatro agendas prioritárias e será entregue aos candidatos à Presidência da República.

Segundo o levantamento, a arrecadação fiscal associada à mineração, que somou R$ 750 bilhões na última década, poderia alcançar R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035. A produção mineral anual, por sua vez, poderia passar dos cerca de R$ 300 bilhões atuais para até R$ 535 bilhões em 2035.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O estudo aponta que apenas 28% do território brasileiro está mapeado geologicamente em escala considerada adequada para orientar investimentos em pesquisa mineral. A ampliação desse conhecimento é apontada como uma das medidas necessárias para identificar novas fronteiras de exploração, inclusive de minerais críticos e terras raras.

O levantamento estima ainda que o impacto da mineração sobre o emprego, considerando postos diretos, indiretos e induzidos, poderia chegar a 5,3 milhões de vagas até 2035, ante cerca de 3 milhões atualmente — um potencial adicional de 2,3 milhões de empregos.

As propostas estão organizadas em quatro frentes: licenciamento e fundamentos da mineração; integração da cadeia mineral; ambiente de negócios e segurança institucional; e geração de valor social e ambiental. Entre as medidas estão investimentos em infraestrutura e energia, processamento mineral, desenvolvimento tecnológico e mudanças regulatórias, financeiras e tributárias.

“Em um momento em que se discutem caminhos para impulsionar o crescimento do país, a Vale contribui para o debate a partir de uma proposta concreta para que o Brasil aproveite a janela de oportunidade global e destrave nosso enorme potencial minerário”, afirmou o CEO da Vale, Gustavo Pimenta.

O relatório também estima que minerais produzidos no Brasil e utilizados em veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas podem contribuir para evitar entre 1,6 e 2 gigatoneladas de CO2 equivalente em emissões anuais no mundo até 2050.

Questionado sobre o interesse da Vale em minerais estratégicos, o CEO da companhia disse que a empresa ainda não decidiu avançar diretamente nesse mercado, mas mantém estudos sobre a possibilidade de atuação. Segundo ele, as terras raras têm importância geopolítica crescente, embora ainda representem um mercado de nicho, e os principais desafios estão relacionados à escala e à concentração da capacidade de refino na China.

“A gente ainda está numa etapa de estudo, início do desenvolvimento desse tipo, como país. E, por causa da Vale, volta naquele ponto meu anterior. Acho que a gente está mais focado nas grandes commodities e avaliando se existe um caminho para seguir nas commodities que ainda não alcançaram a escala”, disse a jornalistas.

Pimenta afirmou que a companhia avalia oportunidades em outras commodities, mas que concentra a maior parte do capital em segmentos nos quais já possui conhecimento e vantagem competitiva, como minério de ferro, cobre e níquel. “Hoje a gente ainda não tomou nenhuma decisão de avançar sobre outras commodities, mas a gente segue estudando”, comentou.

Decreto de cavidades 

Sobre o decreto que regulamenta a proteção de cavidades naturais subterrâneas, Pimenta defendeu uma atualização das regras para diferenciar estruturas consideradas relevantes para a biodiversidade daquelas sem relevância ambiental, permitindo, neste último caso, eventual aproveitamento pela mineração mediante compensação.

“O nosso pleito é modernizar, que aquilo que de fato é relevante do ponto de vista ambiental siga sendo preservado. Para não deixar dúvida, a gente não tem nenhum interesse, não quer propor nada que seja contrário à preservação da biodiversidade, da preservação do meio ambiente, mas a gente acha que tem um espaço de modernização”, declarou.

Segundo o executivo, a discussão não afeta apenas a mineração, mas também projetos de infraestrutura. “Não é um tema só da Vale. (...) Ele afeta o desenvolvimento de infraestrutura no Brasil de uma forma muito importante.”

Pimenta disse ainda que a Vale estudou modelos adotados em países como a Austrália e vê espaço para uma classificação mais precisa das cavidades. “É trabalhar melhor o que é classificação de uma versus a outra para que a gente possa focar naquilo que é relevante e efetivamente ser mais flexível naquilo que não tem relevância”, afirmou.

  • Google Discover Icon
postado em 18/08/2026 14:25 / atualizado em 18/08/2026 14:27
x