A vice-presidente de Regulação Institucional da Neoenergia, Solange Ribeiro, afirmou nesta quarta-feira (5/8) que as decisões de investimento no setor de infraestrutura passaram a depender cada vez mais da estabilidade institucional e do cenário geopolítico global.
A declaração foi feita durante o segundo painel do 8º Brasília Summit, promovido pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais em parceria com o Correio Braziliense, que debateu A Segurança Jurídica e o Desafio da Infraestrutura no Brasil.
Segundo a executiva, fatores tradicionais como eficiência, produtividade e retorno financeiro continuam relevantes, mas já não são suficientes para orientar os investimentos de longo prazo. “A geopolítica deixou de ser coisa de governo e passou a ser coisa de empresas. Hoje, é preciso avaliar onde investir, com quem investir, de quem comprar e com quem construir relações de longo prazo”, afirmou.
Para Solange, em um cenário internacional mais fragmentado e menos previsível, a confiança tornou-se um ativo estratégico. “Confiança é um ativo fundamental. E ela depende de instituições sólidas, estabilidade regulatória e segurança jurídica", disse.
A executiva destacou, ainda, que a transição energética ganhou uma dimensão que vai além da agenda ambiental. “A transição energética deixou de ser apenas uma questão ambiental. Ela passou a ser uma questão de segurança energética, soberania, competitividade industrial e resiliência econômica", afirmou.
Na avaliação da vice-presidente da Neoenergia, o Brasil reúne vantagens importantes para assumir protagonismo na nova economia de baixo carbono, por contar com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, um sistema de transmissão robusto e potencial de expansão. No entanto, afirmou que esses atributos precisam ser convertidos em investimentos, industrialização e geração de valor.
Ela também ressaltou que a expansão do setor passa não apenas pela construção de novas usinas, mas pelo fortalecimento da infraestrutura de redes para atender ao avanço de novas tecnologias. “Quando falamos em inteligência artificial e data centers, não basta expandir a geração de energia. É preciso investir também nas redes, que serão o grande elemento facilitador dessa transformação”, disse.
Investidores
Sob a ótica do investidor, Solange afirmou que os riscos de mercado e tecnológicos podem ser calculados, mas alertou que a instabilidade institucional representa um obstáculo difícil de mensurar. “O investidor consegue precificar riscos empresariais, tecnológicos e de mercado. O que ele não consegue precificar é a incerteza institucional permanente", comentou.
Segundo ela, esse ambiente eleva o custo de capital, inviabiliza projetos e acaba sendo repassado ao consumidor. “Quando a incerteza aumenta, aumenta também o custo de capital. Muitos investimentos deixam de acontecer e esse custo, no fim, chega ao consumidor”, avaliou.
Para garantir a expansão dos investimentos em infraestrutura e energia, a executiva defendeu uma governança baseada em previsibilidade, coordenação institucional e respeito aos contratos. Ela apontou três pilares para fortalecer a segurança jurídica: previsibilidade das mudanças regulatórias, coerência entre Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos reguladores, e preservação dos contratos com regras de transição claras.
Ao concluir, Solange afirmou que a transição energética deve ser encarada como uma transformação ampla do país. “A transição energética é uma transformação econômica, tecnológica e institucional. E é a segurança jurídica que permite que esses investimentos aconteçam, cresçam e permaneçam", concluiu.
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