Mais de 30 entidades ligadas ao setor agropecuário entregaram, nesta sexta-feira (14/8), um manifesto para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobrando do governo federal a regulamentação da medida provisória (MP) que possibilitou a renegociação de dívidas dos produtores rurais.
O setor alerta que, mesmo após cerca de um mês da publicação da MP, a renegociação anunciada não está efetivamente disponível aos produtores nas agências bancárias. “Multiplicam-se os relatos de produtores que, mesmo cumprindo os requisitos legais, enfrentam a recusa das instituições financeiras”, explica.
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Além disso, as entidades apontam que a demora na regulamentação pode comprometer a efetividade da medida, tendo em vista que já consumiu praticamente um quarto do prazo inicial de vigência. A expectativa é de que cerca de R$ 100 bilhões possam ser repactuados.
“Quanto maior a demora para que as regras estejam integralmente disponíveis, menor será o período para que produtores consigam concluir todo o processo.”
Mudanças no texto da MP
O Congresso Nacional instalou na quarta-feira (12) a Comissão Mista que vai analisar a medida. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi eleito para presidir o colegiado e designou para a relatoria da matéria o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). As entidades defendem que o texto passe por mudanças.
“Além disso, diante do alcance limitado da MP, que deixa estados e produtores fora dos critérios de elegibilidade para a renegociação, é essencial que o Congresso Nacional aperfeiçoe o texto durante sua tramitação, ampliando o acesso às medidas previstas”, diz o manifesto.
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Quando assumiu a mesa da comissão recém instalada, o senador Calheiros reconheceu que a MP foi um passo importante para o setor agropecuário, mas que, ao ser comparada ao projeto aprovado pelo Senado Federal, está com um alcance limitado e foi substancialmente desidratada.
“A MP não pode ser ponto de chegada, cabe à MP recuperar tudo que foi retirado e aprimorar aquilo que precisa”, afirmou. Um dos pontos de mudança que ele já defendeu foi a inclusão dos produtores do Norte e Nordeste na lista de beneficiários da MP.
Vale lembrar que, para permanecer gerando efeitos, a MP precisa ser aprovada na Comissão Mista, além do Plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, até 12 de setembro.
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