
O crime organizado vem invadindo importantes espaços da economia formal. Sua engrenagem utiliza empresas, serviços e estruturas legais para movimentar dinheiro, ampliar influência e dificultar a ação do poder público.
A mudança impõe um novo desafio às autoridades: além de combater grupos armados e recuperar territórios, é preciso atingir a estrutura financeira que sustenta essas organizações.
A estratégia ganhou novos instrumentos com a Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção, que ampliou os mecanismos de enfrentamento às organizações criminosas. Para Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), o principal problema a ser enfrentado está nas brechas que permitem a circulação de recursos entre atividades legais e ilegais. Segundo ele, "quanto mais difícil é cruzar origem, destino, nota fiscal, volume produzido, volume transportado, volume recebido e volume vendido, maior é o espaço para esconder produto irregular".
Setores como transporte, construção, serviços e comércio podem ser explorados para dar aparência legal a recursos obtidos de forma ilícita ou para criar novas fontes de renda para as organizações.
Nos territórios controlados por facções e milícias, a atuação também pode alcançar serviços essenciais, como a exploração ilegal de gás, água e internet. A nova legislação busca atingir essa estrutura por diferentes caminhos. Entre os mecanismos estão medidas de bloqueio e confisco de bens. A proposta é retirar das facções os recursos que permitem financiar novas operações e ampliar sua presença na economia.
Nesse cenário, a integração entre órgãos de segurança, fiscalização e controle financeiro ganha importância.
"Precisamos de orçamento, pessoal, equipamentos e capacidade de investigação", defende Kapaz.
Debate
Na próxima terça-feira, o Correio Braziliense recebe, durante o evento CB Talks, especialistas e representantes de diferentes setores para discutir o fortalecimento da segurança pública e os desafios para combater a atuação do crime organizado e os impactos econômicos e sociais diante desse cenário. O evento também irá abordar os caminhos para ampliar a integração entre Estado, sociedade e iniciativa privada na segurança pública.
O encontro terá início às 9h30 na sede do jornal e será transmitido ao vivo pelo YouTube. Esta edição do CB Talks tem o apoio do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (SindiGás), do Instituto Combustível Legal e do Instituto Livre Mercado.
Foram convidados o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o senador Izalci Lucas (PL-DF), o deputado federal Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), bem como o presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz; o professor da USP e coordenador da Escola de Segurança Pública, Leandro Piquet Carneiro; Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal; e Sérgio Bandeira Melo, presidente do SindiGás.
*Estagiária sob a supervisão de Edla Lula

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