Política monetária

Copom reduz taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,75%

Em decisão unânime, Banco Central reforça a cautela e não dá sinais de continuidade do ciclo de cortes de juros

Banco Central para a Capital SA -  (crédito: Agência Brasil)
Banco Central para a Capital SA - (crédito: Agência Brasil)

Em mais uma decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciou, ontem, a redução da taxa básica da economia (Selic) de 14% para 13,75% ao ano. No comunicado divulgado ao final da reunião, o colegiado não deu certeza se continuará reduzindo os juros na próxima reunião, após o primeiro turno das eleições de 4 de outubro. 

"Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta", destacou o comunicado. 

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Esse foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual nos juros básicos. Ainda assim, descontada a inflação, os juros reais do Brasil permanecem em primeiro lugar no ranking global. 

Conforme levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, feito com 40 países, considerando a inflação acumulada para os próximos 12 meses, o juro real brasileiro, de 8,45% ao ano, enquanto a Rússia. A média dos juros analisados foi de 1,62% anuais.

ECO-Copom2
ECO-Copom2 (foto: Valdo Virgo)

Além de reforçar o aumento das incertezas nos cenários interno e no externo, o BC elevou de 5,1% para 5,2% a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Contudo, manteve em 3,2% a perspectiva para a inflação oficial no horizonte relevante monitorado pelo Copom, no primeiro trimestre de 2028.

Na avaliação de analistas, a decisão do Copom foi em linha com o consenso do mercado. Contudo, as opiniões divergiram entre uma pausa do ciclo de afrouxamento monetário, iniciado em março de 2026, ou de mais cortes nos juros, como pede o setor produtivo.

O economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, considerou que o ciclo de corte de juros acabou e só será retomado no ano que vem. "Essa era uma decisão amplamente esperada pelo mercado. Todo mundo estava de olho, no entanto, a comunicação trouxe pouquíssimas mudanças em relação à decisão anterior. Basicamente, o BC repetiu o comunicado, mostrando preocupação com o risco inflacionário, que é o que reflete o balanço de riscos, e uma estratégia dependente de dados. Então, acredito que o Banco Central que vai aguardar mais informações antes de agir", afirmou Padovani. "No nosso cenário, aqui no banco, imaginamos que ele vai fazer uma pausa (no ciclo) até ter mais segurança na convergência da inflação, mantendo a Selic no atual patamar de 13,75% no fechamento do ano, retomando o processo de corte no ano que vem", acrescentou.

Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence, também destacou que houve pouquíssimas mudanças na mensagem do Copom. "O comunicado reconheceu a desaceleração da atividade e a melhora recente da inflação, mas manteve tom cauteloso diante da desancoragem das expectativas, da inflação de serviços, dos riscos fiscais e dos possíveis efeitos de segunda ordem do petróleo", destacou. 

Vieira lembrou que a projeção do Copom para o IPCA no horizonte relevante ainda está acima do centro da meta de 3%. "O balanço de riscos continuou assimétrico para cima. A leitura é de corte hawkish (menos tolerante com a inflação): o ciclo prossegue, mas sem compromisso com novo movimento. A magnitude total da flexibilização dependerá dos próximos dados", explicou.

Ritmo tímido

Entidades do setor produtivo também comentaram sobre a decisão do Copom e reforçaram que o ritmo de cortes da taxa Selic segue "tímido" e poderia ser maior devido ao processo de desaceleração da inflação e da atividade econômica, o que foi percebido nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano e nos dados do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), divulgado ontem.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão do Copom como "tímida" e "extremamente cautelosa", e defendeu a continuidade do ciclo de corte de juros. "Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta", disse Ricardo Alban, presidente da CNI.

 


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postado em 16/09/2026 23:15 / atualizado em 17/09/2026 01:02
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