
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulou, ontem, qual será a posição do governo federal sobre as apostas online no Brasil. De volta ao país após participar da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Lula reuniu-se no Palácio da Alvorada com integrantes da equipe econômica para discutir medidas de restrição ou proibição do setor.
Participaram do encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. A equipe econômica apresentou ao presidente alternativas para o enfrentamento das apostas virtuais. A decisão final, porém, caberá a Lula. Entre os cenários avaliados estão o banimento completo das bets ou uma restrição parcial da atividade.
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Na hipótese de proibição total, seriam atingidas tanto as apostas esportivas quanto os cassinos on-line, incluindo plataformas associadas a modalidades como o chamado "Jogo do Tigrinho". Outra possibilidade em análise é concentrar as medidas nos cassinos virtuais e adotar novas restrições à publicidade relacionada às apostas.
O tema ganhou espaço dentro do Palácio do Planalto em meio à intenção de Lula de definir uma posição antes do primeiro turno das eleições. A medida também deverá integrar a comunicação eleitoral do governo.
No início do mês, Lula declarou publicamente que, caso dependesse de sua vontade pessoal, acabaria com as apostas on-line. Na ocasião, entretanto, ressaltou que, como presidente, precisaria considerar os impactos políticos, econômicos e sociais de uma eventual decisão. A expectativa entre auxiliares é de que Lula possa divulgar a medida ainda nesta quarta-feira. Não há confirmação de um anúncio oficial em Brasília, mas o presidente deverá participar à noite de um evento com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, onde poderá abordar o assunto.
Pesquisa apoia
A discussão ocorre no mesmo dia em que uma pesquisa Atlas/Bloomberg apontou forte apoio dos brasileiros ao fim das apostas online. Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados defendem a proibição das bets, enquanto 60% consideram que a atividade provoca apenas prejuízos à sociedade.
Os dados também mostram um cenário de cobrança sobre o governo federal. Para 36% dos entrevistados, a principal responsabilidade pela disseminação das bets no país é do governo Lula. Outros 25,4% atribuem a responsabilidade ao governo Jair Bolsonaro, enquanto 16,5% apontam o Congresso Nacional.
Os números colocam o governo diante de uma questão política adicional: além de decidir o alcance das novas medidas, o Planalto precisa lidar com a percepção de parte da população sobre a responsabilidade pela expansão do setor.
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