Indústria

Produção industrial cresce 0,2% em julho, mas recua 0,5% em um ano, diz IBGE

Avanço mensal interrompe dois meses de queda, enquanto resultado anual encerra sequência de quatro meses de alta do setor

A produção industrial brasileira cresceu 0,2% em julho, na comparação com junho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (2/9). O resultado interrompeu uma sequência de dois meses consecutivos de queda.

Apesar do avanço mensal, a indústria registrou retração de 0,5% em relação a julho de 2025. O resultado interrompeu uma sequência de quatro meses seguidos de crescimento na comparação anual.

No acumulado de 2026, a produção industrial apresenta alta de 1,1%. Considerando os 12 meses encerrados em julho, o avanço é de 0,6%. Entre as grandes categorias econômicas, três dos quatro segmentos pesquisados registraram crescimento em julho ante junho. A principal alta foi de bens de consumo duráveis, com avanço de 3,2%, seguida por bens de capital, que cresceram 2,4%.

A produção de bens de consumo semi e não duráveis aumentou 0,5%. Já os bens intermediários foram a única categoria a apresentar queda, com recuo de 0,2%. Entre as 25 atividades industriais analisadas pelo IBGE, 13 tiveram aumento na produção em julho. O principal destaque foi o setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, que avançou 12,2%.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o resultado mostra uma recuperação pontual, mas ainda não representa uma retomada consistente da indústria. “Assim como no PIB do segundo trimestre, o quadro é consistente com a política monetária restritiva pesando sobre a atividade, adiando investimentos produtivos e o consumo das famílias, com a demanda doméstica seguindo como o principal vetor da desaceleração”, afirmou.

Segundo Kayo, os números também podem ser acompanhados com atenção pelo Banco Central, uma vez que indicam que o ambiente de juros elevados começa a produzir efeitos mais claros sobre a atividade econômica. “Para o Banco Central, o dado tende a ser recebido com o mesmo alívio observado nos indicadores mais recentes, na medida em que confirma que os juros altos já se traduzem em atividade mais fraca, mesmo com a inflação ainda distante da meta”, completou.

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