Siderurgia

Governo e setor de aço estudam programa de incentivo

Empresários procuraram Ministério do Desenvolvimento para levar adiante programa aos moldes do Presiq, da indústria química

No evento, Alckmin, ao lado do secretário Uallace Moreira, do Mdic, confirmou que o programa está em estudo no governo  -  (crédito: Raphael Pati/CB/D.A Press)
No evento, Alckmin, ao lado do secretário Uallace Moreira, do Mdic, confirmou que o programa está em estudo no governo - (crédito: Raphael Pati/CB/D.A Press)

São Paulo - O setor de aço e laminados alinha com o governo federal a possibilidade de um novo programa voltado para incentivar a aquisição de matérias-primas na siderurgia, aos moldes do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), que garante benefícios tributários e de investimentos para aquele segmento. O movimento foi adiantado pelos principais líderes do setor no país e confirmado pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado durante os dias 29 e 30 de setembro, na capital paulista.

"Nós fizemos um programa importante para a indústria química, o Presiq. E nós podemos trabalhar para fazer um nos mesmos moldes, o Proaço, para a gente fortalecer uma indústria estratégica, uma indústria de base, como é a siderurgia", disse Alckmin, na abertura do evento. Ele citou a questão da defesa comercial para o setor, com o aumento das alíquotas de ao menos 39 produtos, especificados com as NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul), que, segundo ele, foram determinantes para uma queda de 15% das importações entre janeiro e julho.

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O presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau, André Johannpeter, disse, durante o evento, que o tema está sendo desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Indústria e Comércio do Mdic, comandada pelo secretário Uallace Moreira e reconheceu que o objetivo é se inspirar no Presiq, que foi instituído ainda em dezembro do ano passado, mas entra em vigor oficialmente apenas no dia 1º de janeiro de 2027.

"Após as eleições, nós vamos sentar de novo com o governo para tratar sobre isso. Nós estamos numa fase embrionária ainda de trabalhar, mas é realmente um instrumento importante, a exemplo do que a química teve", disse Johannpeter, na coletiva de apresentação dos dados do setor.

Defesa comercial

O tema mais discutido no evento e que causa preocupação para os empresários é a defesa comercial. Além das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos desde o ano passado, outros países e blocos comerciais adotaram decisões semelhantes, como a União Europeia que, mesmo com o acordo em vigor com o Mercosul, mantém a mesma taxação de 50% sobre as importações de aço para dentro da região. Outros mercados como México, Canadá e Reino Unido também tomaram decisões semelhantes, ao mesmo tempo que uma série de países estabeleceram salvaguardas e cotas para a compra do produto, a exemplo do Paraguai.

A tarifa média do Brasil, no entanto, mesmo com o aumento das alíquotas implementada desde 2025, é de apenas 12,7%. Empresários do setor acreditam que as medidas adotadas pelo governo brasileiro ajudaram a reduzir as importações, sobretudo da China, que virou uma das maiores preocupações para o mercado interno desde o ano passado. Enquanto em 2025, a China respondia por 64% da compra de laminados, neste ano a participação já caiu para 50%, com um crescimento de outros mercados, como Áustria, Japão, Vietnã e Egito.

No geral, as importações no setor recuaram 18,5% no período de janeiro a agosto deste ano, e saíram de 5,7 milhões de toneladas para 4,9 milhões de toneladas. Mesmo com a queda, os empresários acreditam que as medidas que foram adotadas até agora não são suficientes e que o Proaço pode ser uma alternativa para ampliar o mercado interno. "Tem uma tendência positiva, mas ela tem que continuar positiva. Então eu diria que o momento agora é de cautela, nessa fase que, de fato, a importação começou a cair no segundo trimestre deste ano, quer dizer, é recente, mas é uma tendência positiva. Isso precisa de se consolidar nessa tendência para a gente enxergar um futuro mais estável e de poder continuar investindo no Brasil", avalia Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal, ao Correio.

O executivo citou o aumento da demanda interna por aço nos últimos anos para comentar sobre o potencial brasileiro para suprir a demanda interna pelo produto. "O Brasil tem condições de atender o crescimento do mercado interno. Precisa de política de defesa estruturante para a cadeia, para a indústria como todo, para o país crescer e o aço fazer parte desse crescimento", acrescenta Oliveira.

Já o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, acredita que o Brasil falha em não se posicionar de maneira mais contundente contra a guerra tarifária no setor. "Hoje, no comércio internacional, você tem cordeiros em pele de lobo, lobos em pele de cordeiro e, curiosamente, o Brasil decide jogar esse jogo como cordeiro em pele de cordeiro. Eu acho que está na hora de mudar de pele", avalia.

O jornalista viajou a convite do Instituto Aço Brasil

 


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postado em 01/10/2026 23:43
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