O futebol brasileiro não cabe mais apenas nas fronteiras responsáveis por delimitar o país. Assim, a internacionalização dos elencos, com a importação de jogadores, é uma tendência cada vez mais enraizada em praticamente todos os torneios realizados por aqui. A resistência à prática até existe em algumas disputas, mas há quem, em qualquer lugar, esteja disposto a expandir culturas. Isso ocorrerá na edição de 2026 do Campeonato Candango. Em meio a centenas de atletas com o selo nacional de qualidade, três nomes terão a missão de adicionar um sotaque espanhol na linguagem da bola falada nos gramados do quadradinho: o uruguaio Nicolás Lugano e os colombianos Juan Mosquera e Johan Arango.
Os três serão os únicos estrangeiros no torneio marcado para começar amanhã e terminar em 21 de março, com a finalíssima em jogo única agendada para o Mané Garrincha. Lugano e Arango foram contratados pelo Capital, enquanto Mosquera defenderá o Real Brasília na competição distrital. O trio chega em um mercado ainda pouco habituado a dar espaço para jogadores de outros países. O histórico recente do Candangão, por exemplo, apontas poucos "importados" de brilho. O nome de maior relevância em temporadas recentes é o do uruguaio Beto Acosta. Conhecido pela passagem no Corinthians, o atacante defendeu o Brasiliense, entre 2010 e 2012, com certo destaque. Em 2020, o gringo voltou ao DF para atuar pelo Taguatinga.
Cada um chega ao Distrito Federal com uma história, mas poucas, até no âmbito geral dos jogadores da edição de 2026, tem um "peso" tão distinto quanto a de Nicolás Lugano. O atleta de 25 anos é filho de Diego Lugano, ídolo do São Paulo, e carrega na camisa o sobrenome conhecido nos quatro cantos do país. As semelhanças, no entanto, param por aí. Se o pai era zagueiro, o filho joga como lateral-esquerdo (embora também atue nas outras posições da defesa). O desejo é construir a própria história, e a passagem pelo Capital tem fator preponderante no objetivo. "Eu sou eu, e meu pai é meu pai. Na camisa, temos o mesmo nome, mas ele fez a carreira dele, e eu estou fazendo meus próprios passos. Sempre vai ter a comparação, mas que seja para o bem e melhorar", destacou.
A passagem pelo Coruja é a segunda de Lugano em solo brasileiro. Revelado pelo Defensor Sporting, o lateral-esquerdo jogou pelo Caxias, em 2024. No entanto, a proximidade com o Brasil é grande e evidenciada pelo português quase impecável. Embora o Candangão não tenha tanta afinidade com estrangeiros, o uruguaio foi seduzido pelo projeto apresentado pelo Capital. Além do torneio local, o time disputará Série D do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Verde. "Me chegou a oportunidade de vir para um time que está crescendo muito, é sério e está fazendo as coisas bem. Qualquer jogador, quando um clube assim demonstra interesse, gostaria de vir. Sendo uruguaio, admiramos o futebol brasileiro, e tomo isso como uma oportunidade de fazer meu nome. Todos os companheiros fizeram eu me sentir um brasileiro desde o primeiro dia, por mais que tenha um pouco de sotaque", salientou.
Se o sobrenome uruguaio Lugano é mais conhecido no país, os colombianos vão tentar se diferenciar no Campeonato Candango pela quantidade. No Real Brasília, Juan Mosquera também carrega uma nuance especial na responsabilidade de fazer história. Se a equipe feminina, extinta nesse ano, contava com várias atletas de fora do Brasil, o time masculino terá no atacante de 23 anos o primeiro gringo em nove temporadas de história. "Para mim, como estrangeiro, é muito bom. O Real Brasília me acolheu e, agora, graças a Deus, faço parte do clube. É só trabalhar para dar bons resultados. Estamos aqui para isso", prospectou o jogador.
Embora o clube viva uma experiência internacional inédita, Mosquera tem uma relação íntima e de superação com o Brasil. Em 2022, o atacante deixou a Colômbia sozinho para realizar o desejo de viver do futebol. Chegou ao país com R$ 20 e batalhou nas passagens por Araucária, Batel, Independente de Limeira e Tupi para se firmar no esporte. Por isso, o atleta trata a passagem pelo Distrito Federal como uma grande oportunidade. "A expectativa para o campeonato são muito boas. Estamos trabalhando, com um elenco bom e jogadores jovens com esse sonho de conquistar algo a mais. Além de sermos jovens, almejamos tantas coisas na vida, e uma delas é conquistar o título. Estamos trabalhando para isso. Não há nada que vença o trabalho", projetou.
Em comparação com os outros estrangeiros do Candangão, Johan Arango é quem tem a carreira profissional mais consolidada. O atacante de 34 anos passou por clubes grandes colombianos, como América de Cali, Once Caldas, Santa Fe e Independiente Medellín, pelo qual ganhou a Liga Apertura da Colômbia, em 2026. Fora do país natal, jogou em equipes do México, da Arábia Saudita e do Peru. No Brasil, atuou no Tocantins. A chegada ao DF, inclusive, o estimula a apresentar mais. "Jogar no Brasil, onde seja, é sempre uma experiência enriquecedora, já que é o país mais exitoso em Copas do Mundo e sede dos torneios mais competitivos. Em Brasília, o nível é alto e a torcida merece uma equipe da elite dessas competições", citou.
Ter a oportunidade de romper as fronteiras do Candangão foi outro atrativo importante para Arango. "Para mim, é muito motivador ser um dos poucos estrangeiros, pois abre esse mercado a outros jogadores. O Capital crê na gente e nós acreditamos no clube. Essa temporada será um intercâmbio esportivo e todos nos beneficiaremos disso", observou.
Assim como Brasília, o Candangão é plural. O torneio cumpre os preceitos da Capital da República e escancara as portas para gente de todos os cantos do país com o sonho de triunfar no centro do poder do país. Em 2026, isso será amplificado. E se depender das ambições de Lugano, Arango e Mosqueta, a nova temporada será apenas o início de um mercado muito exitoso para futebolistas de fora do Brasil.
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