JOGOS OLÍMPICOS DE INVERNO

Entenda a saída de Lucas Pinheiro Braathen da federação da Noruega

Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Braathen decidiu representar o Brasil em 2024. Um ano antes o atleta havia anunciado a aposentaria aos 23 anos

O atleta se tornou o primeiro brasileiro da história a conquistar uma medalha nas Olimpíadas de Inverno ao vencer o slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina -  (crédito:  Rafael Bello/COB)
O atleta se tornou o primeiro brasileiro da história a conquistar uma medalha nas Olimpíadas de Inverno ao vencer o slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina - (crédito: Rafael Bello/COB)

A decisão de trocar a Noruega pelo Brasil, oficializada em 2024 após anunciar aponsentadoria um ano antes aos 23 anos, colocou o nome de Lucas Pinheiro Braathen no centro de uma das histórias mais emblemáticas do esporte olímpico recente. Quase dois anos depois, a escolha se transformou em um feito inédito: ele se tornou o primeiro brasileiro da história a conquistar uma medalha nas Olimpíadas de Inverno ao vencer o slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina.

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Filho de mãe brasileira e pai norueguês, o atleta decidiu representar o Brasil após divergências com a federação norueguesa, especialmente em relação à exposição de patrocinadores, regras de vestimenta e participação em eventos. A mudança foi construída em acordo com seus patrocinadores — que aceitaram a formação de uma equipe individual — e com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN). O atleta também obteve autorização da Noruega para a troca de cidadania esportiva, o que lhe permitiu manter seus pontos na FIS e estrear imediatamente na Copa do Mundo na temporada seguinte.

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A reestreia como atleta brasileiro ocorreu na temporada 2024/2025. Mesmo largando em posições desfavoráveis, mostrou competitividade ao terminar em quarto lugar no slalom gigante em Sölden, na Áustria, e repetir a colocação no slalom em Levi, na Finlândia. O primeiro pódio defendendo o Brasil veio no slalom gigante em Beaver Creek, nos Estados Unidos. Ainda naquela temporada, acumulou mais quatro medalhas: prata em Adelboden (Suíça) e Kranjska Gora (Eslovênia), além de bronzes em Kitzbühel (Áustria) e Hafjell (Noruega). No Campeonato Mundial de 2025, no entanto, não conseguiu repetir o desempenho da Copa do Mundo, encerrando sua participação em 13º lugar no slalom e 14º no slalom gigante.

Na segunda temporada competindo pelo Brasil, já com posição de largada mais favorável, Lucas voltou a se destacar. Antes da pausa para Milão-Cortina 2026, disputou 17 provas e terminou entre os dez primeiros colocados em 14 delas. Foram cinco pódios nesse período, incluindo a medalha de ouro no slalom em Levi — a primeira vitória do Brasil em uma etapa de Copa do Mundo de um esporte olímpico de inverno. Ele ainda conquistou quatro pratas: em Alta Badia (Itália), Adelboden e Wengen (Suíça) e Schladming (Áustria). Chegou aos Jogos Olímpicos embalado por uma sequência de nove provas consecutivas entre os cinco primeiros colocados.

Após a conquista histórica em Milão-Cortina, Braathen relembrou a influência do Brasil em sua formação esportiva e pessoal. “Eu não cresci como esquiador, eu cresci como jogador de futebol, essa foi minha introdução ao esporte. Quando eu estava visitando minha família no Brasil, meus primeiros modelos de atletas eram Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Nazário. Esses indivíduos realmente mudaram o esporte, o futebol, com a coragem de ser quem eles são, apesar de todas as críticas. (...) Agora, eu sou um esquiador, mas pelo menos eu sou um campeão”, afirmou.

O campeão olímpico também destacou o impacto das vivências no país em sua trajetória. “Muitas pessoas no Brasil me deram essa luz que me trouxe o poder para ser o mais rápido do mundo hoje e para ser campeão olímpico. Eu realmente espero que essa luz possa brilhar em outros, inspirá-los a seguir a sua própria luz, o seu próprio coração e confiar em quem eles são”.

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postado em 15/02/2026 15:01
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