RECOPA

Em noite de desgosto profundo, Flamengo amarga vice para o Lanús na Recopa

Rubro-negro abusa dos erros, toma gols em lances com tomadas de decisões infelizes e perde para os argentinos na prorrogação em pleno Maracanã. Derrota com requintes de crueldade amplia pressão e crise no clube carioca

Com requintes de crueldade, o Flamengo sofreu mais um duro golpe na temporada de 2026. Nesta quinta-feira (26/2), debaixo de muita chuva no Estádio do Maracanã, o rubro-negro enfrentou uma batalha física e psicológica na tentativa de virar a decisão da Recopa Sul-Americana contra o Lanús. O time carioca saiu atrás com erro defensivo e até encontrou energia para virar, com dois gols de pênalti, e forçar a prorrogação. O esforço, porém, foi em vão. Mal tecnicamente, a equipe flamenguista sofreu um apagão defensivo nos últimos minutos de bola rolando e foi derrotada pelos argentinos, por 3 x 2. Uma noite de desgosto profundo com potencial de ampliar ainda mais a pressão no clube.

Ciente da necessidade de ganhar um título para amenizar as cobranças pelo futebol ineficiente apresentado nos primeiros compromissos do ano, Filipe Luís impôs mudanças na escalação e viu o Flamengo sofrer bastante diante da postura defensiva adotada pelo Lanús. A correção de rota com a bola rolando e a disposição em campo até fez a Recopa Sul-Americana se manter possível por 118 minutos. O time não contava, no entanto, em tomar dois gols com os pênaltis já se aproximando. Um ponto final no desejo de gritar "é campeão" para reencontrar o rumo em 2026.

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O Flamengo entrou em campo sob desconfiança de uma escalação incompreendida pela torcida. Filipe Luís optou por um ataque de mobilidade, com Samuel Lino, Carrascal e Plata ocupando a linha ofensiva, além de Evertton Araújo e Pulgar na contenção de possíveis contra-ataques argentinos. A postura deu controle quase total ao rubro-negro. Com mais posse de bola, o time carioca teve nos pés de Carrascal duas grandes chances. O goleiro Losada salvou com boas defesas. O domínio flamenguista ia bem até um erro crasso. Adiantado na linha de meio-campo para agilizar as retomadas de jogo, Rossi recebeu recuo ruim de Ayrton Lucas. Castillo aproveitou a lambança defensiva e marcou de longe, aos 28.

A reação da torcida no Maracanã foi de vaias imediatas aos protagonistas do erro no gol argentino. Por outro lado, os rubro-negros subiram o volume para empurrar a equipe em busca da remontada. Cinco minutos após o gol, veio um certo alívio. Acelerando o jogo, o Flamengo levou a bola para a direita. Varela cruzou, Carrera se atirou, mas cortou com o braço. Pênalti assinalado pelo uruguaio Gustavo Tejera. Arrascaeta cobrou bem e empatou o jogo no Maracanã. A pressão dos cariocas seguiu em termos de posse de bola. No entanto, diante da defesa bem postada do Lanús, nenhuma jogada antes do intervalo levou grande perigo.

Na volta para o jogo, o Flamengo manteve a mesma equipe, mas sofreu com a falta de ímpeto. Erros de passe e finalizações sem direção fizeram Filipe Luís acionar o banco de reservas aos 10 minutos para colocar Pedro e Cebolinha. Aos 18, entraram Paquetá e Jorginho. O cenário em campo, porém, era desanimador para os rubro-negros. Apesar da posse de bola, a imprecisão na tomada de decisões seguia deixando o time carioca antes do gol necessário para empatar o placar agregado. Depois de muito tempo sem atacar com perigo, o rubro-negro levantou na área, Paquetá emendou de canhota e Losada amorteceu para agarrar na sequência.

Com o Lanús fechando a última linha, o Flamengo manteve a estratégia de realizar cruzamentos em sequência. O time, inclusive, estava talhando para tal jogada, com muitas opções na área. A postura fazia a bola circular de um lado para o outro, sem agressividade. Quando verticalizou, o rubro-negro foi premiado. Arrascaeta infiltrou a área e foi derrubado. Jorginho, com a categoria de sempre, desafogou o Maracanã debaixo de chuva: 2 x 1. A arquibancada subiu o volume. Após enfim sair de trás, o time argentino assustou em bola na trave. O lance, porém, estava parado por impedimento. Pedro perdeu a oportunidade derradeira antes da prorrogação.

Com o campo pesado e os jogadores extenuados, os 30 minutos extras de bola rolando foram bastante improdutivos. Nos 15 iniciais, o Flamengo teve domínio territorial. No entanto, não havia perna para criar algo mais incisivo. Visivelmente mais interessados em evitar as penalidades, os rubro-negros buscavam os espaços no segundo tempo da prorrogação. Quem encontrou a rede, no entanto, foi o Lanús. Em cobrança de escanteio, Canale se desvencilhou da marcação de Paquetá e cabeceou forte para a rede. Afobado e desorganizado, o time perdeu a bola no ataque e tomou um contra-ataque fatal. Aquino transformou a noite de festa em mais uma experiência de desgosto profundo.

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