
Equidade de gênero e inclusão de mulheres e meninas. Esses foram os principais pontos debatidos no III Fórum Mulher no Esporte realizado nesta terça-feira pelo Comitê Olímpico do Brasil no Distrito Federal. O evento em um hotel da capital foi marcado por palestras e discussões com a participação de nomes como a vice-presidente do COB Yane Marques, a jornalista esportiva e ex-árbitra Ana Paula Oliveira, a atleta olímpica e presidente do Secretariado do IWG Annamarie Phelps, além de outras presenças de destaque.
Durante a manhã, a roda de debate abordou as políticas de equidade no Movimento Olímpico, desde a criação até a implementação nas organizações. O foco foi analisar o estágio da proposta e trocar ideias sobre como andam os projetos no esporte.
A cubana Alicia Morea, presidente da Comissão das Mulheres no Esporte do Panam Sports, a brasileira Yane Marques e a britânica Annamarie Phelps compartilharam avanços nas instituições e os feitos nos países europeus e americanos acatados pelo Movimento.
Após apresentar algumas políticas aplicadas pelo Panam Sports nos países da América, atuando no fortalecimento da participação feminina nas lideranças, na igualdade e nas oportunidades no esporte, a cubana finalizou deixando o seguinte recado:
""O mundo não pertence nem aos homens nem às mulheres; pertence a ambos, e somente com essa visão compartilhada teremos uma liderança integrada"" Alicia Morea, presidente da Comissão das Mulheres no Esporte do Panam Sports
Ao falar sobre igualdade e inclusão da mulher no esporte, o trio composto por Claudia Romano (Presidente do Instituto Yduqs, do SEMERJ e do Pacto pelo Esporte), Olga Bagatini (jornalista e especialista na ONU mulheres) e Ana Paula Oliveira (jornalista esportiva e ex-árbitra de futebol), mediado pela Doutora em Ciências Cacilda Amaral, deu uma aula sobre a importância da conscientização do meio do esporte em aplicar as políticas de equidade de gênero nas organizações esportivas.
Ana Paula Oliveira foi pioneira na arbitragem feminina no futebol brasileiro. Na época, a presença da mulher causava estranheza por ser um ambiente majoritariamente masculino. Hoje, Ana destaca a abordagem da Fifa na formação. A entidade, antes de fazer uma turma mista, prepara primeiro a parte mental e física feminina para ser integrado ao meio, para depois se juntarem aos companheiros de curso.
O desejo de todas as mulheres é transformar em ação concreta o compromisso global da equidade de gênero, adaptando à realidade brasileira, em um momento no qual o país caminha para ser referência mundial no assunto.
Os dados comprovam que, nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a participação feminina foi de 49%. Porém, quando virado para o número de treinadoras, caiu para apenas 13%. As análises trazidas pelas bancadas serviu para colocar todos em um momento de reflexão e provocação sobre a necessidade de levar a maturidade dos temas para o esporte.
O treinador José Roberto Guimarães, as doutoras Ana Corte e Rosângela Faroni, e a atleta olímpica de wrestling Luísa Nunes deram um show sobre as necessidades da mãe-atleta durante a gestação. Os quatro compartilharam as experiências.
De um lado, o comandante contou sobre a convivência com as jogadoras que decidiram ser mães. Rosângela e Luísa contaram sobre os preconceitos e os desafios enfrentados ao escolher gestar e conciliar com a vida de atleta/profissional.
Prêmio Melânia Luz
Para encerrar o evento, o prêmio Melânia Luz foi entregue pela Primeira Dama do Brasil, Janja Lula da Silva. A esposa do presidente da República fez uma participação especial na cerimônia e aproveitou para discursar sobre os temas.
A homenageada do III Fórum da Mulher no Esporte foi a presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Luciene Resende. A nordestina atua no desenvolvimento da modalidade no país e tem importante papel na gestão da ginástica nacional e internacional.
"Assumi a Confederação Brasileira de Ginástica entre uma assembleia que predominava mais homens, mas na minha linha de mulher, eu fui alcançando o respeito, a potencialidade desse esporte, que é a ginástica. E hoje, nós temos grandes resultados na nossa ginástica perante todo o investimento que foi feito, tanto do Comitê Olímpico do Brasil, como do Ministério de Esportes, que eu quero agradecer a todos”, celebrou.
"Divido essa homenagem com todas as mulheres que diariamente contribuem para transformar o esporte brasileiro em um ambiente cada vez mais justo, seguro, diverso e inspirador”, completou, continuou.
“Podem ir mulheres, sigam em frente, as portas estão abertas para todas nós. Com muita responsabilidade. E com muita inspiração, para ajudar a transformar as conquistas com o que nós fazemos e que nós estamos pretendendo fazer", concluiu a dirigente.
*Estagiária sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

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