Trinta e um de março pode significar o resgate do orgulho italiano. Em um mês, o país comemorou a conquista de dois Grandes Prêmios de Fórmula 1, com Kimi Antonelli na China e no Japão. Também subiu ao topo do pódio nas três etapas da MotoGP, com Marco Bezzecchi, e faturou os títulos dos dois Masters 1000 de tênis nos Estados Unidos, em Miami e Indian Wells, façanha de Jannik Sinner. Nesta terça-feira, chegou o dia de o futebol dar alegrias ao povo. Se vencer a Bósnia e Herzegovina fora de casa, às 15h45, retornará à Copa do Mundo após as ausências em 2018 e 2022.
Membro da geração tetracampeã mundial com a Itália em 2006 e treinador da seleção desde junho do ano passado, Gennaro Gattuso entende que o sucesso dos compatriotas de outras modalidades pode servir de inspiração. "Outros ganham e nós não? Não há inveja, apenas muita admiração. É um ciclo, por assim dizer. Estávamos ganhando no futebol, enquanto não éramos competitivos no tênis. Ver italianos vencendo em outras modalidades me empolga", destacou, em entrevista coletiva.
O duelo contra a Bósnia e Herzegovina em Zenica, cidade a 74km da capital Sarajevo, é a última chamada para a Copa do Mundo. O vencedor será alocado no Grupo B com um dos anfitriões, o Canadá, o Catar e a Suíça. Não há vantagem: se persistir o empate, a definição da vaga será nos pênaltis.
A Itália amenizou a pressão após despachar a Irlanda do Norte por 2 x 0 na semifinal em Bérgamo cinco dias atrás. Fez um primeiro tempo nervoso, deixou de caprichar nas finalizações, mas corrigiu a rota e foi letal com os gols do meia Tonali e do centroavante Moise Kean na etapa final. Os bósnios estão mais desgastados. Devido ao empate por 1 x 1 contra País de Gales em Cardiff, jogou 120 minutos até a prorrogação e avançou com o triunfo por 4 x 2 na marca da cal.
Desde que Gattuso herdou a prancheta de Luciano Spalletti, a seleção italiana venceu seis dos sete jogos disputados. A exceção é a derrota de virada diante da forte Noruega, por 4 x 1, no Estádio San Siro. O técnico está convicto do sistema 3-5-2, com dois alas no apoio ofensivo. Hoje, o ataque deve seguir com Moise Kean e Mateo Retegui. Juntos, eles marcaram 10 dos 21 gols da Azzurra sob o comando de Gattuso.
O encontro com a Bósnia em Zenica tem um ingrediente a mais. Após a vitória sobre a Irlanda do Norte, membros da delegação italiana foram flagrados comemorando a passagem dos bálcãs à final. A atitude caiu mal, em tom de menosprezo aos adversários. Não bastasse a polêmica, um soldado italiano da Força da União Europeia no país foi acusado de espionagem por filmar treino dos donos da casa. O militar permaneceu próximo ao campo além dos 15 minutos permitidos para jornalistas e outros profissionais e estava com o celular apontado em direção à atividade.
O orgulho bósnio também está em jogo. A primeira e até então última vez do país na Copa do Mundo foi em 2014, no Brasil, quando perdeu para Argentina e Nigéria e empatou com o Irã. A antiga Iugoslávia pode ter a menor participação em Mundiais. Apenas a Croácia está garantida. Eslovênia, Sérvia, Montenegro e Macedônia do Norte ficaram pelo caminho. Independente desde 2008, Kosovo ainda nutre o sonho e encara a Turquia às 15h45.
Intercontinental
Além das quatro vagas disponíveis para a Europa, restam dois lugares para a disputa da repescagem intercontinental da Fifa. Depois de vencer a Nova Caledônia por 1 x 0, a Jamaica encara a República Democrática do Congo, às 18h, em Guadalajara, no México. À meia-noite (de Brasília), a bola rola para Iraque x Bolívia. A nação boliviana pode ser a sétima sul-americana assegurada na Copa e encerrar jejum de participação, que perdura desde 1994.
Ficha técnica
Bósnia e Herzegovina x Itália
Repescagem europeia da Copa do Mundo (jogo único)
Local: Estádio Bilino Polje, em Zenica
Arbitragem: Clément Turpin (França)
Transmissão: SporTV e Globoplay (streaming)
Prováveis escalações
Bósnia e Herzegovina — Vasjli; Muharemovic, Katic e Kolasinac; Memic, Tahirovic, Alajbegovic, Sunjic e Dedic; Dzeko e Demirovic. Técnico: Sergej Barbarez
Itália — Donnarumma; Mancini, Bastoni e Calafiori; Politano, Barella, Locatelli, Tonali e Dimarco; Kean e Esposito (Retegui). Técnico: Gennaro Gattuso
Todas as finais por vaga
Europa
Terça-feira (31/3)
15h45 Bósnia x Itália
15h45 Suécia x Polônia
15h45 Kosovo x Turquia
15h45 Rep. Tcheca x Dinamarca
Transmissão: ESPN e Disney (streaming)
Intercontinental
Terça-feira (31/3)
18h RD Congo x Jamaica
Quarta-feira (1°/4)
0h Iraque x Bolívia
Transmissão: SporTV e CazéTV
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