CBC & Clubes Expo

Tecnologia dos pisos entra em evidência mirando longevidade no esporte

Durante evento organizado pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), empresa responsável por fornecer os palcos dos principais torneios nacionais aposta em ciência e experiência de atletas olímpicos para reduzir impacto físico e elevar padrão das competições

Recoma realizou ativações durante o CBC & Clubes Expo, em Campinas -  (crédito: Divulgação/CBC)
Recoma realizou ativações durante o CBC & Clubes Expo, em Campinas - (crédito: Divulgação/CBC)

Campinas (SP) — Nem só de atletas e gestores vive o desenvolvimento do esporte nacional. No CBC & Clubes Expo 2026, realizado na última semana, em Campinas, um dos bastidores mais determinantes do alto rendimento ganhou espaço: a tecnologia aplicada aos pisos esportivos. Em meio a quadras, tatames e arenas, empresas da área buscam criar soluções, conectando ciência, engenharia e a experiência prática de quem vive o esporte. Responsável por fornecer os "palcos" de torneios de elite no basquete, vôlei, judô e handebol, a Recoma aposta nessa integração para ampliar a longevidade no esporte.

Com 47 anos de atuação em mais de 40 modalidades e experiência acumulada em eventos como os Jogos Olímpicos Rio-2016 e as edições dos Jogos Pan-Americanos na capital carioca, em 2007, e em Lima, em 2019, a empresa apresentou no evento um portfólio abrangendo da iniciação ao alto rendimento. A proposta, segundo o presidente Sérgio Schildt, passa por replicar no Brasil as mesmas condições de prática vistas nos grandes centros esportivos mundiais, igualando os cenários em nível profissional e de formação de talentos.

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“A gente desenvolve as mesmas condições de prática do exterior para os nossos atletas e também cria base para formar novos talentos no mesmo nível”, afirmou Schildt, em entrevista concedida ao Correio no estande da Recoma no CBC & Clubes Expo. O ponto central da discussão passa pela tecnologia aplicada aos pisos. Muito além de superfície, o material influencia diretamente na saúde do atleta. “Temos uma preocupação muito grande com a segurança da prática do esporte. O amortecimento de impacto correto, a abrasividade adequada, tudo isso interfere na preservação física e na performance”, explicou.

A lógica é simples: quanto menor o impacto repetitivo, maior a durabilidade do corpo ao longo da carreira nas mais variadas modalidades. Em esportes de contato ou alta exigência, como judô e basquete, a diferença pode ser decisiva para prologar não apenas o tempo de atuação dos atletas, mas também a saúde e a qualidade de vida em meio às nuances da profissão. Nesse ponto, entra um diferencial estratégico adotado pela Recoma empresa: o uso da expertise de atletas olímpicos no desenvolvimento dos produtos.

Baby, Giovannoni e Zanetti atuam como embaixadores e ajudam na elaboração das tecnologias
Baby, Giovannoni e Zanetti atuam como embaixadores e ajudam na elaboração das tecnologias (foto: Divulgação/CBC)

Nomes como Maurren Maggi, ouro no salto com vara em Pequim-2008; Arthur Zanetti, campeão em Londres-2012, nas argolas da ginástica artística; Rafael Silva. duas vezes medalhista olímpico de bronze no judô; e Guilherme Giovannoni, ídolo do basquete candango e três vezes campeão do NBB com o Lobos Brasília, participam diretamente dos testes e ajustes. “O Baby tem 150 quilos e testou nosso sistema de amortecimento no judô. O Giovannoni testa a base do basquete. A Maurren contribui nas pistas. São soluções feitas com quem vive o alto rendimento”, detalhou Schildt.

O processo de criação das tecnologias dos pisos esportivos também inclui atletas em atividade, como Abner Teixeira, medalhista olímpico nos pesos-pesados do boxe em Tóquio-2020, e profissionais em transição de carreira, ampliando o repertório técnico dos projetos oferecidos pela Recoma ao mercado esportivo. “Eles trazem a experiência de competições internacionais e ajudam a validar o que estamos desenvolvendo. Isso melhora muito o resultado final”, acrescentou.

A discussão da necessidade de evolução constante no palco de brilho dos atletas ganha ainda mais peso quando desce do alto rendimento para as categorias de base base. Segundo Schildt, boa parte das estruturas no país ainda não oferece condições ideais para prática esportiva. “A ABNT criou uma norma dizendo que piso de concreto não é piso esportivo. Ele oferece risco à saúde. Criamos uma tecnologia que permite revitalizar quadras em quatro dias, com absorção de impacto e mais segurança”, explicou Schildt, destacando os projetos da empreja junto a entidades governamentais do país.

Os projetos da Recoma no formato, conforme explicou o presidente da empresa, já somam centenas de intervenções em estados como São Paulo e Minas Gerais. O impacto vai além da segurança imediata. A tecnologia permite aumentar a vida útil dos atletas, reduzindo desgaste físico ao longo dos anos. “Desde a iniciação esportiva, a criança já começa a praticar em melhores condições. Isso preserva articulações e permite que o atleta jogue por mais tempo”, completou.

Em defesa do sintético

Referência na fabricação de pisos esportivos e fornecedora oficial das confederações brasileiros de vôlei, basquete, judô, handebol e vôlei, a Recoma também toma partida na guerra fria do futebol com a utilização de gramados sintéticos em detrimento aos naturais. No âmbito profissional, o tema carrega sensibilidade, com movimentos de atletas e clubes contra a implementação da tecnologia em torneios profissionais, como a Série A do Campeonato Brasileiro. Para Schildt, a resistência está ligada a percepções antigas, baseadas em tecnologias já superadas.

Sérgio Schildt, presidente da Recoma, ressaltou presença da marca em torneios nacionais da CBV, CBB e outras confederações
Sérgio Schildt, presidente da Recoma, ressaltou presença da marca em torneios nacionais da CBV, CBB e outras confederações (foto: Arquivo Pessoal)

“A grama sintética já está na sexta geração. Muita gente olha pelo retrovisor, para tecnologias de oito ou 10 anos atrás. Hoje, é completamente diferente”, pontuou. O executivo também rebate comparações diretas com o gramado natural ideal. “Esse gramado em estado da arte é exceção. Pouquíssimos clubes conseguem manter. O sintético garante padrão, drenagem, uso contínuo e estabilidade”, afirmou. Segundo ele, testes internacionais já indicam equivalência de desempenho entre os modelos em condições ideais. "Eu não tenho a menor dúvida de que a tecnologia do sintético oferece condições idênticas de jogo a um gramado natural em estado da arte. Está evoluindo em uma velocidade absurda. A cada ano surge uma tecnologia nova."

Além do aspecto técnico, a conta financeira entra no debate. “Hoje, os estádios precisam se pagar. Com grama natural, você usa poucas horas por semana e tem um custo altíssimo de manutenção. O sintético permite mais uso e melhor aproveitamento”, explicou. "O campo de grama natural em estado da arte é quase um sonho. Nós temos dezenas de equipes na primeira e na segunda divisão do futebol brasileiro, e você pode pinçar três ou quatro que têm gramados em boas condições. O restante são sofríveis: duros, falhados, com desníveis, com problema de drenagem", alertou.

Impulso ao esporte

A participação da empresa no CBC & Clubes Expo reforça o papel da tecnologia como aliada da gestão esportiva. Muito além de uma exposição, o evento funcionou como ponto de networking entre empresas, clubes e atletas. “É uma troca excepcional. Recebemos demandas dos clubes e levamos soluções. Também orientamos sobre uso, manutenção e gestão dos espaços. Isso ajuda a maximizar o investimento e melhorar a prática esportiva”, concluiu Schildt.

Entre inovação, ciência e experiência prática, é possível se ver um movimento cada vez mais claro: o desempenho esportivo é impulsionado pelo talento, mas existem outras variantes importantes na equação. Passa também pelo chão onde o atleta pisa e pela tecnologia responsável por sustentar cada movimento. No fim, o recado é direto: a construção de grandes jornadas começa antes do apito inicial. E, cada vez mais, passa pelo chão onde o atleta performa.

*O repórter viajou a convite do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC)

  • Baby, Giovannoni e Zanetti atuam como embaixadores e ajudam na elaboração das tecnologias
    Baby, Giovannoni e Zanetti atuam como embaixadores e ajudam na elaboração das tecnologias Foto: Divulgação/CBC
  • Sérgio Schildt, presidente da Recoma, ressaltou presença da marca em torneios nacionais da CBV, CBB e outras confederações
    Sérgio Schildt, presidente da Recoma, ressaltou presença da marca em torneios nacionais da CBV, CBB e outras confederações Foto: Arquivo Pessoal
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DQ
postado em 28/04/2026 21:33
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