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Em julgamento, filha de Maradona denuncia 'manipulação total' de equipe médica do pai

Gianinna Maradona também alega que réus tentaram responsabilizar ela e a família pelo óbito do ídolo argentino

O depoimento de Gianinna Maradona, nessa terça-feira (21/4), trouxe novos desdobramentos ao julgamento que investiga a morte de Diego Maradona. No tribunal em San Isidro, ela afirmou que a família foi alvo de uma "manipulação total e horrível" por parte da equipe médica envolvida nos últimos dias de vida do ídolo argentino.

A manipulação foi total e horrível, eu me sinto como uma idiota, declarou. Na sequência, ela apontou diretamente três dos acusados por negligência potencialmente fatal: o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Díaz.

Confiei nessas três pessoas e tudo o que fizeram foi nos manipular e deixar meu filho sem avô, afirmou. Ao todo, sete profissionais de saúde entre médico, psiquiatra, psicólogo e enfermeiros respondem por possível responsabilidade na morte.

Diego Armando morreu aos 60 anos após uma crise cardiorrespiratória associada a edema pulmonar. Ele estava sozinho em uma residência alugada, onde se recuperava de uma neurocirurgia considerada sem complicações.

Condução do tratamento em xeque

Em sua versão da reconstrução do caso, Gianinna disse que a internação domiciliar intensiva ocorreu após recomendação de Luque. Ela o aponta como responsável pela condução do tratamento àquela altura do acompanhamento.

Ele explicou que, se isso não funcionasse, tinha outra opção, mas que primeiro deveríamos tentar a internação domiciliar. Disse que naquele momento era a melhor opção. Não teve decisão tomada da noite para o dia. Com a perspectiva que tenho hoje, ouvindo as gravações, não consigo imaginar que estivessem planejando algo diferente, disse.

Ela esteve com o pai pela última vez nos dias 17 e 18 de novembro de 2020. Nesse intervalo, conforme relatou, o psicólogo Díaz orientou que o ex-jogador não recebesse visitas para evitar sobrecarga do paciente.

Sempre que eu falava com meu pai e dizia que ia à casa dele, davam mais comprimidos ou álcool para ele. Criavam uma situação ruim para que eu quisesse ir embora. Meu pai era a pessoa mais rápida do planeta e estava piorando cada vez mais, lamentou.

As acusações de negligência surgiram em 2021, após a formação de uma junta médica para investigar o caso. O grupo concluiu que a equipe responsável pelo atendimento atuou de forma inadequada, deficiente e imprudente.

Disputa por responsabilidade

O depoimento avançou para o período seguinte ao óbito, quando, segundo Gianinna, surgiram tentativas de responsabilizar a família.

Eles tentaram me culpar, até mesmo outro dia. Ouvi na imprensa que estavam tentando me culpar por não ter encontrado um médico, e a cada momento, quando os áudios vieram à tona, havia tantas pessoas tentando transferir a culpa para nós. Tentando nos responsabilizar, e completou:

Além do que conversamos, eles tinham toda uma estratégia em andamento em paralelo. Naquela época eu não conseguia entender como alguém poderia ser uma pessoa má ou pensar tão rápido que estava fazendo tudo errado. Eles estavam com medo.

Julgamento da morte de Maradona

O caso voltou ao tribunal após a anulação do primeiro julgamento, em maio de 2025, após a juíza Julieta Makintach participar de um documentário não autorizado sobre o processo. Em vídeo, a magistrada aparece dando entrevista dentro do tribunal a violação a regras judiciais levou à sua renúncia.

Acusação e defesa passaram, então, a revisar suas respectivas estratégias com a retomada. No julgamento inicial, promotores afirmaram que os profissionais de saúde violaram protocolos de tratamento e descreveram o local de recuperação como um teatro de horror. Alegaram também que não houve cuidado básico com Diego.

Já a defesa sustenta que a morte era inevitável em decorrência dos problemas de saúde de longa data. Isso porque o ídolo lidou por décadas com dependência de álcool e cocaína.

Entre os acusados estão o trio mencionado, a clínica geral Nancy Forlini, os enfermeiros Dahiana Madrid e Ricardo Almirón, a coordenadora médica Nancy Colombo e o chefe de enfermagem Mariano Perroni. O Ministério Público os acusa de homicídio simples com dolo eventual tipificação que considera previsibilidade do risco e consciência de ignorá-lo.

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