Basquete

Brasília vence Caxias no estouro do cronômetro e volta às quartas do NBB

Com game winner de Paulichi no último segundo, time candango garante classificação histórica no Nilson Nelson; partida marcou a despedida de Shamell, lenda da liga, sob o olhar de Gui Santos e Caio Bonfim

O Brasília Basquete venceu o Caxias do Sul por 71 x 70, no último segundo de jogo, com game winner de Paulichi, na noite desta quinta-feira (30/4), no Ginásio Nilson Nelson. Com o resultado, a equipe está classificada às quartas de final do Novo Basquete Brasil (NBB). O feito não ocorria desde a temporada 2016/2017. O time gaúcho deu adeus à competição e ao ala número 24 Shamell. O maior pontuador da história da liga anunciou a aposentadoria ao fim da temporada. O próximo adversário da franquia do Distrito Federal será o Flamengo. O primeiro jogo será na capital, em 5 de maio, às 20h.

A partida contou com olhar atento de brasilienses ilustres. Gui Santos, ala-pivô do Golden State Warriors e o medalhista olímpico de marcha atlética Caio Bonfim estiveram presentes nas arquibancadas do Nilson Nelson e vibraram com a classificação da equipe candanga. O jogador da NBA foi homenageado no centro da quadra e presenteado com uma camisa personalizada do time do Distrito Federal.

“Acho que só o basquete proporciona emoções dessa forma. Para mim, é uma satisfação enorme poder estar aqui hoje. Fiquei muito feliz. Sou torcedor do Brasília Basquete. Eu acho que o trabalho está sendo muito bem feito. Trazer o basquete de volta pra nossa cidade, toda a reconstrução, cada dia lotando mais e com bons resultados”, afirmou Bonfim, ao Correio.

Cestinha da partida com 23 pontos, o armador Kevin Crescenzi vibrou bastante com o feito protagonizado pelo Brasília Basquete. Filho de pai norte-americano e mãe brasileira, ele destacou a importância de saber detalhes dos rivais. “Eu sinto que conhecer o time que estamos jogando contra em uma série assim é melhor para os jogadores. Pegar jogos assim em sequência, contra a mesma equipe, ajuda. Eu sou esse tipo de jogador, eu gosto desse tipo de coisa. Então, eu curto o playoff por isso. Jogadores mais veteranos preferem partidas assim”, afirmou Crescenzi.

 

Do lado do Caxias do Sul, o clima pós-jogo foi de despedida. No último jogo da carreira, Shamell afirmou estar grato pela trajetória construída no basquete brasileiro. ”Eu estou feliz. Eu não tenho nada para reclamar. Hoje eu deixei tudo em quadra. Durante 23 anos eu joguei no basquete de alto nível, e entreguei tudo o que eu podia entregar. Foi uma carreira bem bacana”, avaliou, ao Correio.

O jogo

No primeiro quarto, as duas equipes entraram em quadra como se disputassem a vida em cada posse de bola. Para o Brasília, o triunfo valeria o retorno às quartas de final, um feito aguardado desde a temporada 2016/2017. Para o Caxias do Sul, o peso era ainda maior. O revés não significaria apenas a eliminação, mas o adeus definitivo de Shamell Jermaine. As equipes travaram uma batalha frenética, mas, no fim, o Caxias conseguiu se distanciar no marcador e fechar a primeira parcial em 24 x 15.

Apesar da pressão pela vitória obrigatória, o Caxias exibia leveza nas jogadas e acuava os extraterrestres. A torcida do Brasília Basquete sustentava o ritmo do time e cantou do início ao fim. Assim, a três minutos do intervalo, a franquia igualou o placar em 30 a 30. A virada se desenhava, passou pelas mãos de Brunão e ganhou forma com Crescenzi. O camisa dois encerrou a primeira metade do jogo com 14 pontos e 73,7% de aproveitamento nos arremessos. A franquia do DF foi aos vestiários liderando por 37 x 33.

A torcida do Brasília aumentou o volume na volta do intervalo. O armador Crescenzi retornou inspirado para o terceiro quarto e, sob o olhar de Gui Santos, anotou nove pontos no período. O Caxias resistiu à pressão e impediu os donos da casa de dispararem no placar. A parcial terminou com a equipe candanga em vantagem de 56 x 51.

O duelo ganhou intensidade no último quarto. O Caxias buscou a reação, eliminou a diferença e deixou o placar igualado, tornando cada posse de bola decisiva. Sob o canto de "Brasília, Brasília" vindo das arquibancadas, Facundo Corvalan acertou o perímetro para abrir vantagem. Shamell respondeu e empatou o confronto novamente. No lance livre, Brunão recolocou o time candango em vantagem mínima. Restavam 12 segundos para o fim, e a posse de bola pertencia aos visitantes. Shamell sofreu a falta e converteu os dois lances livres. Agora, era a vez da franquia do DF decidir com apenas um segundo no relógio. A bola sobrou para Paulichi, que converteu o ponto do jogo, e classificou o Brasília.

*Estagiário sob a supervisão de Danilo Queiroz

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