Copa do Mundo

Que o seis vire rotina: Brasil se despede com goleada e lições

No último teste no Brasil antes de embarcar em direção ao hexa, Seleção Brasileira brinda o Maracanã e atropela o Panamá. Ancelotti roda time, ganha convicções, mas leva detalhes para aprimorar antes da Copa do Mundo

O placar do jogo de despedida da Seleção Brasileira do país antes do embarque para a disputa da Copa do Mundo de 2026 não poderia ser mais sugestivo para alimentar a esperança de sucesso. O 6 x 2 de domingo (31/5) diante do Panamá, em um Maracanã abarrotado por 72.140 torcedores satisfeitos com o desempenho ofensivo da equipe de Carlo Ancelotti, transformou apreensão em aplausos e gerou sinergia. Respeitadas as fragilidades técnicas do adversário, o time verde-amarelo fez o dever de casa, rodou todo o elenco e viajará, nesta segunda-feira (1º/6), para lutar pelo hexacampeonato totalmente de bem com a vida. O teste cumpriu o dever de deixar, também, dúvidas para a sequência.

Com a ideia de fazer o seis virar rotina não só no placar, mas também no número de estrelas na Amarelinha, o Brasil tratou o amistoso contra o Panamá como vital para colocar em prática os recursos treinados desde quarta-feira, quando a equipe se reuniu pela primeira vez na Granja Comary. Assim como em períodos de Data Fifa, os três dias são pouco tempo para Ancelotti implementar conceitos táticos e técnicos definitivos. Até por isso, atropelar sem dó nem piedade outra seleção garantida no torneio da Fifa entre junho e julho gera impactos mais significativos nos fatores extracampo. "Tateando" o time, o italiano deixou a partida com dúvidas e rechaçou ser apegado ao esquema utilizado ontem. Admitiu possíveis adaptações na Copa.

Ancelotti testou sem moderação no adeus aos brasileiros no Maracanã. No primeiro tempo, colocou em campo o time A, composto majoritariamente por possíveis titulares na largada da Copa do Mundo. Na etapa final, mexeu em atacado e observou os potenciais candidatos a colocar dúvidas na mente do italiano antes da estreia de 13 de junho contra o Marrocos. Dos 22 atletas disponíveis contra os panamenhos (Gabriel Magalhães, Marquinhos, Gabriel Martinelli e Neymar não jogaram), apenas o goleiro Weverton ocupou o banco do início ao fim. Mais uma vez considerado o pouco poderio do rival, a Seleção demonstrou ter opções, mas deixa dúvidas sobre a exposição defensiva do sistema 4-2-4. Principalmente contra adversários qualificados.

Alisson; Wesley, Bremer, Léo Pereira e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Vinicius Junior, Raphinha e Mathes Cunha. Os protagonistas, surpreendentemente, sofreram para furar a marcação do Panamá. O cenário de festa explodiu no primeiro minuto com bomba de Vini Jr. A pressão seguiu, mas o banho de água fria no gol de Murillo, em falta desviada na barreira, evidenciou os erros de definição. O Brasil perdeu muitas chances, algo a ser aprimorado nas duas semanas antes da estreia. Na base da pressão, Casemiro marcou de cabeça. Não apenas desempatou, mas deu a Ancelotti o direito de testar sem ouvir chiados das arquibancadas.

Apenas Léo Pereira ficou no segundo tempo. Ederson, Danilo, Ibañez, Douglas Santos, Fabinho, Danilo Santos, Lucas Paquetá, Rayan, Endrick e Igor Thiago ganharam minutos preciosos e aproveitaram. Não apenas mantiveram a intensidade do Brasil, como acertaram o pé. Estrelas de times cariocas mostraram entrosamento com o Maracanã. O ex-vascaíno Rayan, o flamenguista Paquetá e o botafoguense Danilo Santos transformaram a atuação em show. Candidato a causar dúvidas em Ancelotti, o brasiliense Igor Thiago deixou o dele de pênalti. Nem o golaço de Harvey, em chutaço de longe, freou a empolgação.

O resultado com pompa arrancou aplausos da normalmente exigente torcida do Maracanã. Em meio às "olas", músicas de incentivo e mosaico com o slogan "Bate no peito", até quem não jogou ganhou afago. Neymar teve o nome cantado, como uma espécie de validação à decisão de Ancelotti de não cortar o craque, mesmo com lesão na panturrilha. Agora, o italiano ganha a missão de dar os retoques finais no projeto. Até lá, o 6 x 2 na despedida de casa promete gerar lua de mel entre Seleção e torcida e tempo para aprimorar as ideias, potencializar as qualidades e eliminar os defeitos de ontem. O adeus ao país terminou com um belo seis. Quem sabe a trajetória na Copa também não tenha o número como estrela-guia do sucesso.

Mais Lidas