Copa do Mundo

Alisson mira o hexa e ignora recordes na terceira Copa pelo Brasil

Goleiro igualará Taffarel em mundiais como titular e diz que só entrará para a história se conquistar o título nos Estados Unidos

Nova Jersey — Dos 11 jogadores escalados por Tite na estreia do Brasil na Copa de 2022, oito estão no time provável de Carlo Ancelotti para a retomada da caminhada do hexa neste sábado contra Marrocos, às 19h, no MetLife Stadium. Danilo, Marquinhos, Alex Sandro, Casemiro, Lucas Paquetá, Raphinha Vinicius Junior — e Alisson o entrevistado desta quinta-feira no The Ridge, em Basking Ridge, o QG da Seleção nos Estados Unidos.

Aos 34 anos, Alisson começará a Copa do Mundo como titular pela terceira edição seguida. Igualará o feito do ídolo e preparador de goleiros dele. Taffarel usou a camisa 1 em 1990, na campanha do tetra em 1994 e no vice em 1998. Além do conterrâneo, o gaúcho pode superar Gilmar dos Santos Neves nas participações em mundiais e número de partidas.

Nada disso importa para Alisson se ele não conquistar o hexa. "Estar aqui é uma grande honra. Quando eu era criança, assistia aos jogos e jogava no sofá de casa com o meu irmão. Passar o Taffarel e o Gilmar é uma bênção. Para resumir em uma palavra: é honra. Mas eu vou encarar essa competição como se fosse a minha última oportunidade. Meu foco não é só somar participações. Eu não quero apenas bater recordes de jogos. Eu quero entrar no grupo dos campeões”, afirmou no início dos 30 minutos de coletiva.

Com a bagagem das eliminações nos mundiais anteriores, Alisson adota uma postura blindada em relação às pressões externas. Focado no ajuste tático. Ele destacou a necessidade de uma defesa intransponível e minimizou os julgamentos de terceiros sobre o desempenho dele nas eliminações contra a Bélgica em 2018 e a Croácia em 2022.

“Eu sou o meu maior crítico. Ninguém vai me criticar mais do que eu mesmo dentro de quatro paredes. O que mais me incomoda em relação às eliminações anteriores não são as críticas individuais que recebi, é o simples fato de não ter vencido. Nós sabemos que, para ser campeão do mundo, o time precisa odiar tomar gol”, reconheceu o dono da camisa 1.

Para alcançar essa solidez e a taça, a Seleção Brasileira conta com um trunfo no banco de reservas. Segundo o goleiro, o impacto do técnico Carlo Ancelotti é sentido no cotidiano, trazendo o equilíbrio necessário para um torneio de tiro curto: “A chegada do Carlo Ancelotti mudou a atmosfera. Ele trouxe muita tranquilidade e blindou o nosso grupo de qualquer polêmica externa. Ele é um cara resiliente, é extremamente humilde e sabe exatamente como gerir um vestiário e escolher as palavras certas nos momentos de maior pressão”.

Focado, exigente consigo e respaldado por um novo comando técnico, Alisson reflete o atual espírito da Seleção: menos holofotes no passado e obsessão total pelo título inédito. Um dos líderes do grupo, Alisson ressalta o papel dele, de Marquinhos e de Casemiro na montagem de um elenco sólido para conduzir o Brasil em paz na campanha.

“Nós, que já temos a bagagem de outras Copas, conversamos muito com os meninos mais novos que estão chegando agora. Nosso papel é passar segurança e mostrar que, apesar do peso da camisa, o que resolve o jogo é o que fazemos no campo. A mescla desse grupo está muito saudável”, ressaltou Alisson na bancada da sala de conferências.

Uma arma em comum de todas as seleções na Copa do Mundo é a bola parada. Alisson alerta para o risco das jogadas ensaiadas. "A gente olha o que os grandes clubes fazem hoje. O Arsenal, por exemplo, decidiu muitos jogos na temporada por meio da bola parada, tanto defensiva quanto ofensiva. Nós estamos estudando e praticando exaustivamente essas dinâmicas. Em um torneio curto de mata-mata, uma bola parada define o destino."

Alisson também chamou a atenção para a temperatura em Nova Jersey, um dos maiores desafios na Copa do Mundo. Nesta quinta, o termômetro registrou 32º com sensação de 38ºC, "O clima aqui em Nova Jersey é bem pesado por causa do calor, mas a intensidade dos treinos não diminuiu. A comissão técnica está exigindo o máximo de cada um de nós. É o tipo de preparação que nos deixa prontos para o nível de enfrentamento físico que vamos encontrar na Copa", avaliou.

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