
A 317 dias da abertura da Copa do Mundo Feminina, o torneio com sede no Brasil, a partir de 24 de junho de 2027, tem mais da metade das seleções candidatas ao título definidas. O pacote mais recente de classificados vem da África com duas estreantes: Argélia e Malawi. Camarões e Marrocos também carimbaram o passaporte para a primeira versão do torneio no continente sul-americano. Restam 14 bilhetes destinados à Europa (7), Américas do Norte, Central e Caribe (4), além de três para a repescagem mundial.
Há pouco tempo, as jogadoras de futebol da Argélia precisavam decidir entre seguir a carreira de atleta profissional ou o casamento. Conciliar os dois não era uma opção. Durante a guerra civil de 1997, alguns fãs do esporte e jovens garotas buscaram na modalidade um refúgio e criaram a equipe "Afak Relizane". Todas de origem humilde, elas combateram barreiras e muitos "nãos" para viver da paixão pelo futebol. À época, havia uma proibição dos islamitas armados à prática de qualquer modalidade esportiva por mulheres.
Mesmo com as adversidades, o Afak Relizane se tornou um dos principais clubes da Argélia, colecionou títulos e reconhecimento. Em 2017, as jogadoras precisaram tomar a decisão de se casar — e renunciar ao futebol — ou viver em celibato e seguir carreira. O treinador na época, Sid Ahmed Mouaz, recebeu uma carta exigindo o abandono do esporte feminino, mas Mouaz recusou. Desde então, em pequenos passos, o país vive em uma transição lenta para sair do amadorismo e falta de orçamento para a indústria do futebol feminino funcionar. Ao carimbar vaga à semifinal da Copa Africana, a Argélia confirmou presença na Copa do Mundo.
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Por ser uma seleção mais jovem, fundada nos anos 2000, o Malawi vive altos e baixos. De 2011 a 2018, o futebol feminino passou por uma fase de esquecimento. Não havia suporte financeiro. A seleção entrava em campo uma ou duas vezes por ano e dependia de iniciativas isoladas. Em 2023, Malawi conquistou o Campeonato da COSAFA, entre nações regionais, e chamou a atenção do mundo. No ano passado, dominou o torneio nacional. após bater Angola, Malawi se classificou pela primeira vez para a Copa Africana deste ano.
A África tem quatro representantes na disputa: Argélia, Camarões, Malawi e Marrocos. Há chance de repescagem para outras equipes. O maior impasse, por enquanto, diz respeito às seleções europeias. Em rota de colisão com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a Uefa ameaça boicotar as competições da entidade máxima do futebol depois da tentativa de venda de parte da Copa do Mundo a investidores. Desde então, há uma racha entre a Uefa, liderada por Aleksander Ceferin, e a Fifa, capitaneada por Gianni Infantino.
O primeiro grande teste do imbróglio é a Copa do Mundo Sub-20 na Polônia. O país do Leste Europeu é sede do torneio a partir de 5 de setembro. Se a Uefa confirmar o boicote com a adesão polonesa, a Fifa terá de buscar um novo anfitrião para o torneio de base. Além da Polônia, cinco europeus disputam o torneio: França, Itália, Inglaterra, Portugal e Espanha.
Classificados
País-sede: Brasil
Ásia: Austrália, China, Japão, Coreia do Norte, Filipinas e Coreia do Sul
África: Argélia, Camarões, Malawi e Marrocos
América do Sul: Argentina e Colômbia
Oceania: Nova Zelândia
Europa: Dinamarca, França, Alemanha e Espanha
Vagas em jogo
Europa: 7
América do Norte, Central e Caribe: 4
Repescagem mundial: 3

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