
Há um surto de “empatite” correndo solto pelos gramados da principal competição da América do Sul. Os sete jogos de ida das oitavas de final da Libertadores disputados nesta semana terminaram sem vencedor, apesar de 10 gols. A exceção pode ser Tolima x Independiente del Valle, adiado para o dia 18 devido aos terremotos na Colômbia. Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Mirassol e Palmeiras foram contaminados. O Corinthians até acreditou ter encontrado o antídoto no Estádio Gigante de Arroyito, mas também teve de se contentar com o 0 x 0 diante do Rosario Central, nesta quinta-feira (13/8).
Diferentemente das igualdades de Mirassol, Palmeiras e Fluminense, o empate não é mau negócio para o Corinthians. A tensão sempre está no ar em confrontos Brasil x Argentina. Imposição física, confusões e receio com a arbitragem entram em campo. A trupe paulista ainda precisou se virar com um jogador a menos, após o volante Allan ser expulso aos 35 minutos da etapa final.
O drama foi, mesmo, só nos instantes finais do jogo. O alvinegro respondeu bem no primeiro tempo. Fernando Diniz ensaiou uma equipe equilibrada para a quarta partida pela terceira competição diferente em 11 dias. Teve menos a bola no primeiro tempo, com 46% de posse, mas a tratou melhor. Soube sair jogando com calma desde o goleiro Hugo Souza e os zagueiros Gabriel Paulista e Gustavo Henrique, mesmo nos momentos de pressão do Rosario Central. Pela esquerda, o astro Di María foi bem anulado.
Foram 16 faltas marcadas e cinco cartões distribuídos. O lance de maior perigo dos 45 minutos iniciais, inclusive, nasceu de uma bola parada: Matheuzinho cobrou na área, Bidu desviou como pôde e acertou o travessão.
O poste prolongou uma sina do Corinthians. A segunda maior torcida do país não sabe o que é comemorar um gol em jogos a partir das oitavas de final da Libertadores como visitante desde 2012. A última bola foi empurrada para a rede adversária foi de Romarinho no jogo de ida da final daquela temporada, contra o Boca Juniors, em La Bombonera.
No intervalo, a conversa do técnico Jorge Almirón com os jogadores do Rosario Central teve como objetivo adotar uma postura mais sufocante. Almirón se recusava a empatar ou perder novamente para Fernando Diniz. Era ele o técnico do Boca Juniors derrotado pelo Fluminense na final da Libertadores de 2023, no Maracanã.
No terceiro minuto do segundo tempo, Campaz apareceu livre nas costas da defesa corintiana, mas teve o chute travado. O colombiano voltou a levar perigo pela esquerda ao deixar Matheuzinho para trás e cruzar de três dedos. Ninguém, porém, apareceu para completar a jogada. O camisa 8, ex-Grêmio, era a principal arma: aos 25, cabeceou firme e quase surpreendeu Hugo Souza.
A expulsão de Allan com o segundo cartão amarelo aos 35 minutos da etapa final travou o Corinthians no melhor momento. Recuar virou obrigação, mas salvaram-se todos em meio à pressão hermana. Hugo Souza fez importante defesa em finalização de Di Maria após rebote.
Fernando Diniz mexeu no time após a expulsão do volante. Carillo entrou no lugar de Garro, mas mudou pouco o papel tático. Antes dos acréscimos, o inglês Lingard entrou no lugar de Kaio César.
Com o empate na Argentina, o Corinthians segue dependendo das próprias forças para avançar ao round entre os oito melhores da Libertadores. Vitória simples na Neo Química Arena, na quinta-feira, às 21h30, classifica a companhia alvinegra para enfrentar Estudiantes e Universidad Católica, igualados por 1 x 1 na ida.
Antes de voltar a pensar em Libertadores, o Corinthians retorna as atenções ao Campeonato Brasileiro. No domingo, às 19h30, Fernando Diniz comanda a equipe para o duelo contra o Cruzeiro, pela 23ª rodada.
Ficha técnica
Rosario Central 0 x 0 Corinthians
Oitavas de final da Libertadores (jogo de ida)
Local: Estádio Gigante de Arroyito, Rosario, Argentina
Árbitro: Andres Matonte (Uruguai)
Escalações
Rosario — Jeremías Ledesma; Emanuel Coronel (Verón), Ignacio Ovando, Gastón Ávila e Agustín Sández (Alan Rodríguez); Franco Ibarra e Vicente Pizarro (Navarro); Giovanni Cantizano (Badaloni), Ángel Di Maria e Jaminton Campaz; Enzo Copetti (Marco Ruben). Técnico: Jorge Almirón
Cartões amarelos: Pizarro, Copetti, Coronel
Corinthians — Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Allan e Raniele; Kaio César, (Lingard) Rodrigo Garro (Carrillo) e Breno Bidon (André Ramalho); Pedro Raul. Técnico: Fernando Diniz
Cartões amarelos: Matheuzinho, Allan (dois), Breno Bidon
Cartão vermelho: Allan

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