
O ex-boxeador Prichard Colón morreu nesta quinta-feira (13/8), aos 33 anos, mais de uma década depois de sofrer uma grave lesão cerebral durante uma luta. Desde 2015, ele vivia em estado vegetativo, sob os cuidados da família.
Nascido em 19 de setembro de 1992, em Maitland, na Flórida, Prichard representava Porto Rico, país de seus pais e onde foi criado, e foi considerado umas das maiores promessas do boxe. Aos 23 anos, ele acumulava 16 vitórias, sendo 13 por nocaute, e nenhuma derrota em seu cartel profissional, pela categoria dos super meio-médios.
Em 2012, conquistou o ouro no Campeonato Pan-Americano Juvenil, na categoria até 64kg. Conhecido pelo apelido de “Digget”, ele construiu um cartel perfeito de vitórias como profissional.
Foi com esse currículo, que ele partiu para enfrentar o norte-americano Terrel Williams, em outubro de 2025. O combate, em Fairfax, na Virgínia, Estados Unidos, foi o que transformou sua vida para sempre.
Durante a luta, Colón reclamou de receber vários golpes na parte de trás da cabeça, que são ilegais no esporte, mas os protestos renderam apenas a redução de um ponto de Williams. O porto-riquenho foi à lona duas vezes e terminou desqualificado.
Ao sair do ringue, já no vestiário, Colón vomitou e desmaiou e foi rapidamente levado ao hospital. Os médicos o diagnosticaram com um hematoma subdural, um acúmulo de sangue entre o cérebro e uma das suas membranas, e fizeram uma cirurgia para reduzir a pressão intracraniana, mas os danos neurológicos já eram irreversíveis.
Prichard ficou 221 dias em coma, e ao despertar não conseguia andar e nem falar. Ele passou a viver na casa da mãe, Nieves Melendez, em Orlando, na Flórida. Por 11 anos, ela e Richard Colón, pai e ex-treinador do boxeador, se dedicaram aos seus cuidados médicos.
Sua família entrou com uma ação judicial em 2017 e pediu mais de 50 milhões de dólares. Um dos principais alvos, foi o médico responsável pelo atendimento no ringue, acusado de negligência por ignorar as reclamações de Colón e não interromper a luta. O processo, no entanto, ficou sem desfecho.
Apesar dos golpes ilegais, Terrel Williams não recebeu uma suspensão prolongada ou punição esportiva pelo episódio. O caso teve grande repercussão, e os pais de Colón ainda cobram providências das autoridades do boxe.
Em junho de 2021, Colón foi nomeado capelão honorário pelo Conselho Mundial de Boxe (WBC).
Richard anunciou a morte do filho através das redes sociais em uma nota lamentando não ter tido mais tempo. “Fiz tudo o que pude para cumprir o seu desejo, o seu sonho de o levar de férias para Porto Rico o quanto ele desejou, mas não foi possível. Obrigado por tantos anos de amor e orações", escreveu.
A WBC lamentou a morte do atleta, e destacou a luta travada fora dos ringues. “Um verdadeiro guerreiro. Prichard demonstrou um nível de força e coragem que transcende a comunidade do boxe e inspirou pessoas ao redor do mundo ao longo de sua jornada”, diz o comunicado.

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