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Entenda a tecnologia que "costura" os gramados híbridos no futebol

Técnica de stitching combina 95% de grama natural e 5% de fibras sintéticas para aumentar a resistência dos campos. Esse tipo de piso esteve na Copa do Mundo masculina de 2026 e pode chegar ao Mundial Feminino de 2027, no Brasil

Palco de Panamá x Inglaterra e da final da Copa do Mundo, MetLife Stadium teve remoção do gramado sintético original e implantação de piso híbrido -  (crédito: Matt Swensen/@metlifestadium)
Palco de Panamá x Inglaterra e da final da Copa do Mundo, MetLife Stadium teve remoção do gramado sintético original e implantação de piso híbrido - (crédito: Matt Swensen/@metlifestadium)

Há uma tecnologia trabalhando debaixo da bola que o torcedor dificilmente percebe. Milhões de filamentos sintéticos podem ser costurados diretamente no solo de um campo de futebol para ajudar a grama natural a resistir ao desgaste provocado por partidas, treinos e uso intenso. O método, chamado de stitching, mistura o que há de mais tradicional em um gramado com uma estrutura artificial praticamente invisível.

A proporção é de aproximadamente 95% de grama natural para 5% de fibras de polietileno. As máquinas entram em campo e inserem os filamentos no solo, em alguns casos até 20 centímetros de profundidade. Eles ficam abaixo da altura da grama e passam a fazer parte da estrutura do campo conforme as raízes se desenvolvem e se entrelaçam com a malha artificial.

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A ideia é simples: deixar a grama natural mais resistente sem transformar o campo em um gramado sintético. O reforço protege a região da planta responsável pelo crescimento e ajuda na recuperação depois de uma sequência de jogos.

“Como os filamentos sintéticos protegem a coroa da planta natural, o tecido vegetal ganha uma capacidade de recuperação significativamente mais rápida. A tecnologia preserva a aparência, a textura e as características de jogo de um campo natural, mas entrega uma estrutura muito mais estável, durável e resistente”, explica Roberto Gomide, fundador e CEO da World Sports, empresa especializada na construção e manutenção de gramados esportivos.

O método muda de acordo com o campo. Quando a grama natural é plantada diretamente no solo, a costura pode alcançar até 20 centímetros. Em estádios que já possuem uma base sintética e recebem uma camada de grama natural para partidas de futebol, a intervenção é mais superficial: as fibras são inseridas entre 3 e 4 centímetros, apenas na nova camada.

É uma solução para um problema que cresceu junto com o futebol moderno. Grandes estádios precisam receber partidas de alto nível sem necessariamente deixar de sediar outros eventos ou atividades. Quanto maior a utilização do campo, maior o desafio de preservar uma superfície uniforme, segura e com condições adequadas para os atletas.

A tecnologia ganhou espaço em projetos ligados à Copa do Mundo de 2026. Entre eles estão o MetLife Stadium, em Nova Jersey, que recebeu a final do torneio, o Estádio Akron e o Estádio Azteca, no México, além do Levi’s Stadium, em São Francisco. A World Sports também participou de trabalhos em centros de treinamento de clubes mexicanos.

No Brasil, o próximo grande palco pode ser a Copa do Mundo Feminina de 2027. A competição terá os gramados como parte importante da estrutura necessária para receber o torneio, e o modelo híbrido aparece como uma das tecnologias que podem ser utilizadas nos estádios brasileiros.

“O Brasil terá uma vitrine enorme para o mundo no próximo ano, e isso passa também pela qualidade dos gramados. Muitas vezes, o torcedor presta atenção apenas ao que acontece com a bola rolando, mas existe um trabalho muito importante nos bastidores para que o espetáculo aconteça da melhor forma possível”, destaca o executivo, que trabalhou nos projetos dos gramados dos estádios das Copas do Mundo de 2026.

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postado em 13/08/2026 20:20
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