FUTEBOL

Série A terá três árbitras na mesma rodada pela primeira vez

Cada vez mais aberta às mulheres, a elite nacional concede o apito a Charly Deretti, Daiane Muniz e Edina Alves em São Paulo x Coritiba, Chapecoense e Bahia e Internacional x Remo

Edina Alves é a árbitra mais conhecida nacionalmente: 50 jogos na Série A -  (crédito:  Reprodução/ X)
Edina Alves é a árbitra mais conhecida nacionalmente: 50 jogos na Série A - (crédito: Reprodução/ X)

Em 2022, foi preciso esperar 21 rodadas para uma mulher assumir o apito de um jogo da Série A do Brasileirão. Um ano depois, elas estavam presentes nas 188 partidas do primeiro turno, espalhadas por diferentes funções. Uma nova jogada está ensaiada para este fim de semana: pela primeira vez, três mulheres serão as árbitras centrais de jogos na mesma rodada da elite nacional. Em duas partidas, os trios de arbitragem serão 100% femininos.

A diferença está menos na presença do que no lugar ocupado. Em 2023, o Correio mostrou o avanço da participação feminina na Série A, mas a paranaense Edina Alves era a única mulher entre as árbitras centrais da elite. Agora, ela terá a companhia da catarinense Charly Deretti e da paulista Daiane Muniz. As três integram o quadro de árbitras da Fifa.

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Charly comandará São Paulo x Coritiba, neste sábado (15/8), no MorumBis, auxiliada por Fernanda Nandrea Gomes Antunes e Anne Kesy Gomes de Sá. Nesta edição, a catarinense havia sido assistente de VAR em três partidas e responsável pelo recurso em duas. No ano passado, foi eleita a melhor profissional a operar a tecnologia do vídeo no Brasileirão Feminino.

No domingo, Daiane estará à frente de Chapecoense x Bahia, com Danilo Ricardo Simon Manis e Bruno Boschilia como assistentes. Em 2026, a paulista foi VAR em seis partidas da Série A.

A escala reúne três momentos distintos da arbitragem feminina brasileira. Duas chegam pela primeira vez ao posto de árbitra central na Série A. A terceira conhece o caminho e ajudou a pavimentá-lo.

Charly Deretti chega à elite depois de uma trajetória construída dentro e fora das quatro linhas. Natural de Jaraguá do Sul (SC), começou no futebol aos 11 anos e passou pelas categorias de base da Seleção Brasileira antes de trocar a carreira como jogadora pela arbitragem. 

A catarinense Charly Deretti foi a melhor VAR do Brasileirão Feminino 2025
A catarinense Charly Deretti foi a melhor VAR do Brasileirão Feminino 2025 (foto: Reprodução/Instagram)

Em 2018, entrou para o quadro da CBF e, dois anos depois, tornou-se árbitra Fifa. A experiência como atleta continuou acompanhando a carreira, com participações em competições internacionais e funções ligadas ao VAR. Agora, terá o apito de uma partida da Série A nas mãos pela primeira vez.

Daiane Muniz também construiu o caminho até a elite longe dos grandes centros. Natural de Três Lagoas (MS), mudou-se para Santa Fé do Sul (SP), formou-se em Educação Física e começou na arbitragem aos 21 anos. Em 2018, entrou para o quadro da Fifa. 

A experiência internacional veio inicialmente pelo VAR, com participações em competições como as Copas do Mundo Femininas Sub-20 de 2022 e adulta de 2023. Em 2026, ganhou espaço como árbitra de campo em partidas importantes, entre elas a semifinal do Campeonato Paulista entre Palmeiras e São Paulo. Agora, terá a primeira oportunidade de comandar um jogo da Série A.

Inclusive, Daiane foi alvo de machismo do zagueiro do Red Bull Bragantino, Gustavo Marques, após apitar o duelo pelas quartas de final com o São Paulo: "Não pode colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho", disparou o jogador. 

Daiane Muniz apitou jogos decisivos do Campeonato Paulista 2026
Daiane Muniz apitou jogos decisivos do Campeonato Paulista 2026 (foto: Reprodução / Instagram @daimuniz)

Mais experiente da turma, Edina apita Internacional x Remo, em Porto Alegre, na segunda-feira, com outro trio totalmente feminino: terá as companhias de Neuza Ines Back e Marcia Bezerra Lopes Caetano. Aos 46 anos, representa a experiência de quem percorreu esse caminho e ajudou a ampliar o espaço para outras mulheres. São 50 partidas na elite no currículo desde 2019. 

Natural de Goioerê (PR), começou no basquete antes de migrar para a arbitragem e, em 2019, tornou-se a primeira mulher em 14 anos a comandar uma partida da Série A. No mesmo ano, integrou o primeiro trio feminino brasileiro em uma Copa do Mundo.

A 23ª rodada terá ainda quatro mulheres na função de assistente de vídeo: Elizabete Gomes, em Fluminense x Palmeiras; Jenifer Alves de Freitas, em Athletico x Bragantino; Helen Araujo, em Vasco x Santos; e Lilian da Silva Fernandes Bruno, em Chapecoense x Bahia.

  • Edina Alves é a árbitra mais conhecida nacionalmente: 50 jogos na Série A
    Edina Alves é a árbitra mais conhecida nacionalmente: 50 jogos na Série A Foto: Reprodução/ X
  • Daiane Muniz apitou jogos decisivos do Campeonato Paulista 2026
    Daiane Muniz apitou jogos decisivos do Campeonato Paulista 2026 Foto: Reprodução / Instagram @daimuniz
  • A catarinense Charly Deretti foi a melhor VAR do Brasileirão Feminino 2025
    A catarinense Charly Deretti foi a melhor VAR do Brasileirão Feminino 2025 Foto: Reprodução/Instagram
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postado em 15/08/2026 07:00
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