Futebol local

Mudou de patamar? Diretor diz que acesso ainda não impacta caixa do Gama

Zuza Falcão celebra retorno à terceira divisão, mas diz não haver receita adicional concreta no momento; clube mantém planejamento financeiro e aguarda novos patrocínios, cotas de televisão e ganhos com a Copa do Brasil

O acesso à Série C do Campeonato Brasileiro representa uma reconquista esportiva para o Gama, mas ainda não produziu uma mudança concreta nas finanças do clube. A avaliação é do diretor de futebol Zuza Falcão, responsável por conduzir parte do planejamento alviverde para o fim de 2026 e a próxima temporada. Segundo o dirigente, o retorno à terceira divisão abre oportunidades comerciais e esportivas, mas qualquer alteração no orçamento depende de receitas efetivamente confirmadas.

A promoção alcançada diante do São José encerrou uma espera de 16 anos e recolocou o Gama em uma divisão nacional acima da Série D do Brasileirão. O Distrito Federal não jogava o torneio desde 2013, quando caiu com o Brasiliense. Para Zuza, o feito alviverde também pertence ao futebol local e à comunidade gamense. A ambição, porém, não termina com a vaga conquistada: o dirigente já coloca Série B e Série A como objetivos futuros da instituição.

“O acesso à Série C é muito importante para nós. Acho que é uma reconquista do futebol do Distrito Federal inteiro, mas principalmente do Gama. Acho que nós merecíamos, como instituição, pela torcida, pela camisa, pelo nosso povo, a gente merecia voltar. Mas não acabou a nossa vida na Série C. Não está bom. Nós temos que voltar para a Série B e para a Série A. Então, continua. É uma batalha”, afirmou, em resposta ao Correio durante entrevista realizada pelo clube.

Apesar da promoção, o caixa do Gama não recebeu receitas adicionais imediatas diretamente ligadas ao novo patamar nacional. O clube trabalha com a possibilidade de ampliar a arrecadação por meio de novos patrocinadores, uma eventual melhora nas cotas de televisão e uma participação mais rentável na Copa do Brasil, mas Zuza prega cautela e evita antecipar valores no orçamento antes de qualquer acordo efetivamente fechado.

“O que isso gera de dinheiro? Gera oportunidade, mas de fato agora o que pingou de dinheiro ainda nada. Então, eu não posso me planejar sem saber qual é a realidade que eu vou enfrentar. Eu espero que surjam possibilidades de patrocinadores, de que entre um dinheiro de TV diferente, de que possamos entrar em outra fase na Copa do Brasil e já entre mais dinheiro, mas tudo isso eu preciso ter concreto para poder fazer um planejamento”, explicou.

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A própria campanha na Série D do Brasileirão ainda pode ampliar esse cenário. O Gama disputa o ASA-AL nas semifinais e, além da possibilidade de conquistar o título, pode acrescentar novas receitas de premiação e garantir vantagens esportivas para o calendário seguinte. Chegar à final, por exemplo, turbina o caixa alviverde em R$ 300 mil, levando a premiação acumulada no torneio para R$ 1,32 milhão. Para Zuza, até mesmo o resultado da competição interfere nas projeções para 2027.

“Por exemplo, se a gente for campeão da Série D já muda de figura para entrar na Série C. Já podem ser outros patrocínios e outras possibilidades que às vezes nem foi da Série C, veio pelo título da Série D. Então, a gente precisa aguardar”, ponderou.

Mateus Dutra/Gama - Zuza Falcão vislumbrou oportunidades, mas ressalta: acesso não traz impacto imediato nas finanças do alviverde

Manter a estrutura

O planejamento financeiro atual, segundo o diretor de futebol do Gama, foi montado para garantir o cumprimento dos compromissos já assumidos até o encerramento dos contratos atuais, a maioria fechado por um ano. A chegada à Série C do Campeonato Brasileiro não significa, neste momento, autorização para elevar indiscriminadamente a folha ou antecipar receitas ainda incertas.

“Foi como eu sempre falei, o nosso planejamento está feito para sustentar e manter o que a gente tem hoje. Todos os nossos compromissos até o final dos contratos que estão assinados têm dinheiro no caixa para ser honrado”, declarou.

A estratégia permite mudanças no elenco sem necessariamente ampliar o gasto total. Zuza citou a possibilidade de substituir jogadores e redistribuir recursos dentro da estrutura já existente, preservando o nível de investimento atual enquanto novas receitas não forem confirmadas. “Não quer dizer que a gente vai manter esse time, não vai chegar ninguém que eu tenha isso. Não. O que eu gasto hoje, eu consigo remanejar e manter gastando para não dar nenhum passo acima do que a gente consegue dar”, explicou.

A cautela reflete o momento administrativo do Gama, ainda envolvido em processo de recuperação judicial após a dissolução de um projeto de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O acesso, portanto, representa uma abertura de mercado e uma oportunidade de crescimento, mas não autoriza, por si só, uma expansão financeira imediata. A diretoria trabalha com as verbas garantidas e pretende recalcular a rota quando novos recursos forem concretizados.

"Então, hoje, já mudou a realidade financeira do Gama? Não, não mudou a realidade financeira do Gama. Talvez, se fosse se vender o Gama seria outro preço, mas nós não temos esse interesse. Nós queremos fazer o projeto para longo prazo. O que vai vir de extra pelo acesso ou de extra pelo título, se Deus quiser, a gente vai ver quando de fato acontecer", reforçou.

Esportivamente, o objetivo também cresceu. O Gama já garantiu a presença na Série C do Brasileirão, mas segue na disputa pelo título da quarta divisão nacional. Fora dele, a diretoria tenta transformar o retorno à terceira prateleira do futebol no país em uma base sustentável para os próximos passos. Para Zuza, o acesso mudou o horizonte. Ainda não mudou, porém, a realidade do caixa.

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