
O Parque da Cidade receberá neste fim de semana no circuito inaugurado em outubro do ano passado no Estacionamento 4, o Skate Vertical pelo Pro Tour STU. Os atletas do esporte radicial tomarão conta do pedaço a partir desta sexta-feira (4) e competirão no sábado e no domingo.
Um dos mais importantes nomes da modalidade, campeão mundial em 2013, Rony Gomes será uma das atrações. Aos 34 anos e um dos grandes entusiastas do VERT, ele faz parte de uma geração que contava com o jovem Pedro Barros, futuro medalhista olímpico. E tudo começou se espelhando numa turma que marcou época.
Antes disso, é preciso rebobinar a fita do esporte para a década de 1970, quando o Skate Vertical nasceu no Brasil, impulsionado pela inauguração de uma pista icônica em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em 1976, a primeira da América Latina com transições em formato de “U”. Ali os skatistas começaram a imitar as manobras das piscinas americanas e do surfe nas paredes inclinadas. Nos anos 80, a evolução, com rampas de madeira feitas pelos próprios praticantes.
Mas foi a década de 1990 que consagrou a modalidade no país, com Rodrigo "Digo" Menezes conquistando o primeiro título mundial de VERT para o Brasil, em 1995. Mesma época em que nomes que se tornariam lendários, como Bob Burnquist e Sandro Dias, o Mineirinho, surgiram e já colocavam a bandeira verde e amarela no topo do cenário internacional. O pequeno Rony Gomes, que nasceu em 1991, logo veria tudo isso pela TV e se apaixonaria pelo skate e por toda plasticidade.
"Eu já andava de skate na rua da minha casa com os amigos do bairro. Também íamos aos parques, no Ibirapuera e no Ipiranga, mas pistas ainda não existiam. Era tudo muito novo. Por sorte a minha ou ironia do destino, achei um Half Pipe na Anchieta. Na época, os poucos campeonatos de skate que apareciam na TV eram de VERT. Comecei a ver o Bob, o Sandro, o Lincoln Ueda, o Geninho voando e me apaixonei. Para uma criança de uns 12 anos, impressionava", conta o skatista profissional.
Com todo aquele brilho nos olhos pelo que acabara de ver pela TV, passou a ir com o pai aos finais de semana naquela pista na Anchieta. Até ouvir do dono daquele espaço que, todos os dias, à noite, um pessoal profissional frequentava o local. Foi quando, finalmente, viu aqueles skatistas de perto e se encantou de vez, dizendo para ele mesmo, tão de repente, que faria a mesma coisa pelo resto de sua vida. E o mais importante: teve total apoio daquele que sempre o apoiou.
"Meu pai me levou um dia da semana e a gente viu o pessoal voando, dando aqueles aéreos. Falei: ‘caramba, que legal isso!’ Comecei a frequentar todo dia. Depois do colégio, meu pai me deixava lá e só me buscava à noite. E me apaixonei de vez! Na verdade, foram os aéreos que me fizeram ter vontade de praticar, porque achava muito impressionante. Pensava: ‘como o cara consegue voar e voltar?’ Meu sonho era mandar um aéreo. E nunca desisti", relata Rony.
O VERT era a modalidade com maior visibilidade à época. Com o passar do tempo, porém, como o próprio Rony conta, foi perdendo força no Brasil por não ser muito acessível e não ter muitas rampas. E não demoraria para a modalidade Park aparecer. "Era mais fácil para as Prefeituras fazerem uma pista de concreto, que ficaria de legado para as pessoas usarem", emenda. Muitos skatistas, como o próprio Pedro Barros, migraram para o Park. Mas Rony nunca desistiu.
"Sempre fui um cara que batalhei pelo Skate Vertical, por ser apaixonado pelos aéreos e por gostar da modalidade. Até por isso comecei a fazer meus próprios campeonatos. Hoje, ver muitos eventos de VERT de volta, como os que o STU realiza, me deixa muito feliz. Faço de tudo para que se estabeleça de novo no cenário. Então, nem preciso descrever minha alegria por ir a Brasília junto com uma galera de alto nível para mostrar tudo o que sabemos", vibra.
Programe-se
Os ingressos para o evento são gratuitos e estão disponíveis para retirada na Zig Tickets. Todos dão acesso às arquibancadas e às áreas comuns (ativações, praça de alimentação e feira URB). A classificação etária é livre e cada pessoa tem o direito a retirar até 2 ingressos (crianças de até 5 anos não pagam). O acesso se dará por meio da validação do QR Code do ingresso. Não serão aceitos QR Codes impressos e capturas de tela. A doação de 1kg de alimento não perecível será necessária para validar a entrada com o ingresso.
*Com informações do Pro Tour STU

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