Brasileirão

"Arquibancada não é teatro": clubes resgatam setores sem cadeiras

Do ranço com o Padrão Fifa ao retorno da extinta geral: clubes retiram assentos, ampliam capacidade de estádios, devolvem possibilidade de espaço popular à torcida e fortalecem movimento inspirado na Muralha Amarela do Borussia Dortmund

O governo da Bahia autorizou a retirada de parte das cadeiras na Arena Fonte Nova, em Salvador -  (crédito:  Instagram)
O governo da Bahia autorizou a retirada de parte das cadeiras na Arena Fonte Nova, em Salvador - (crédito: Instagram)

"Arquibancada não é teatro, cinema nem sala de conferências para apreciar um espetáculo ou apresentação sentado". Quem defende essa tese começa a ganhar espaço em alguns estádios do futebol brasileiro na batalha contra o legado da Copa do Mundo de 2014. Na contramão do Padrão Fifa, cadeiras têm sido retiradas de algumas arenas em troca de áreas destinadas aos chamados torcedores raiz e ao aumento da capacidade de público. Santos e Corinthians lideram o movimento e consolidam uma tendência no Campeonato Brasileiro.

A Vila Belmiro tem um setor chamado de Cosme e Damião para as organizadas do Peixe. A diretoria fez uma reforma para ampliar a capacidade do espaço por meio da divisão dos atuais degraus em dois níveis. As obras cumpriram as exigências da Conmebol. Ao mesmo tempo, atenderam às demandas operacionais do clube.

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"A torcida quer que a Vila Belmiro volte a ser o verdadeiro Alçapão. O intuito dessas reformas é ampliar a capacidade do estádio e, também, as nossas receitas com bilheteria. As melhorias que estão sendo realizadas atendem a uma necessidade imediata do clube, que segue mandando seus jogos e precisa manter a estrutura adequada para receber torcedores, competições internacionais e eventos", justifica o presidente Marcelo Teixeira ao Correio.

Construída para a Copa de 2014, a Neo Química recebeu jogos daquela edição do torneio, dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e da Copa América em 2019. Aos poucos, o Padrão Fifa é deixado de lado em troca de mais espaço para a Fiel. Durante o Mundial, o estádio do Corinthians teve arquibancadas temporárias para disponibilizar mais bilhetes.

O clube retirou as cadeiras do setor sul do estádio. Antes, havia retirado os assentos no setor norte, em 2014, logo após o término da Copa do Mundo. "A desarenização é uma resposta dos clubes a uma demanda dos torcedores, que buscam uma experiência mais próxima da atmosfera tradicional dos estádios. Por outro lado, a retomada de características 'raízes' pode representar uma oportunidade de negócio, principalmente quando envolve o aumento da capacidade e a criação de uma identidade própria para o clube", analisa Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa especializada em infraestrutura esportiva.

Há um movimento crescente por espaços como o da Muralha Amarela no Signal Iduna Park. A casa do Borussia Dortmund da Alemanha tem 25 mil lugares destinados a torcedores em pé, a maior arquibancada da Europa com esse propósito. A capacidade total é de 81 mil.

A moda influencia outros clubes da elite a disponibilizar a velha arquibancada de concreto em setores populares para as torcidas uniformizadas. Em 2025, o Atlético-MG retirou as
7 mil cadeiras do setor Inter Sul da Arena MRV, em Belo Horizonte. Bahia e Athletico-PR removeram cadeiras no setor norte da Arena Fonte Nova e da Arena da Baixada, respectivamente, em 2023. Em 2018, o Inter tirou as cadeiras do setor sul do Beira-Rio. Coincidentemente, os três estádios receberam partidas da Copa do Mundo em 2014.

"O que estamos vendo agora nos estádios é um movimento interessante: clubes começam a rever estruturas que foram incorporadas para atender a um determinado modelo de evento e a entender se elas ainda fazem sentido para a experiência que querem oferecer ao torcedor", avalia Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço, e especialista na organização de grandes eventos esportivos.

Legalidade

Segundo especialistas ouvidos pelo Correio, a Lei Geral do Esporte (14.597/2023) não tem diretrizes federais padronizadas que obriguem ou proíbam o uso de cadeiras nem aborda diretamente a retirada de assentos para a criação de setores populares — a chamada geral. São cobrados, principalmente, laudos técnicos e acessibilidade. A regulamentação sobre a porcentagem ou a retirada de cadeiras em estádios costuma ser tratada em âmbito estadual ou municipal.

O governo de Minas Gerais, por exemplo, aprovou a retirada de cadeiras de um setor em todos os estádios públicos do estado. A criação de um setor popular no Mineirão foi liberada. Cruzeiro e Minas Arena, administradora do local, começaram a fazer um estudo de viabilidade para o projeto.

A remoção dos assentos não foi liberada no Maracanã. Em coletiva oficial, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, anunciou que o projeto foi vetado pelas autoridades. "Não conseguimos levar adiante o projeto de retirar as cadeiras do setor norte e sul do Maracanã", lamentou o presidente do clube rubro-negro.

A decisão frustrou os planos de Flamengo e Fluminense. Parceiros na gestão do principal estádio de futebol do país, ambos apresentaram planos de estudo para os setores norte e sul. Antes da planta atual inaugurada antes da Copa das Confederações de 2013, o Maracanã era referência em espaços populares com a nostálgica geral.


  •  A torcida do Santos quer a Vila raiz de volta com espaço sem cadeira para organizadas empurrarem o time
    A torcida do Santos quer a Vila raiz de volta com espaço sem cadeira para organizadas empurrarem o time Foto: Raul Baretta/Santos FC
  •  Muralha Amarela: O Borussia Dortmund da Alemanha tem 25 mil lugares sem cadeira
    Muralha Amarela: O Borussia Dortmund da Alemanha tem 25 mil lugares sem cadeira Foto: Instagram
  •  2026. Esportes. matéria sobre estádios de futebol que estão retirando cadeiras dos estádios em troca de espaços populares para torcedores em pé.
    2026. Esportes. matéria sobre estádios de futebol que estão retirando cadeiras dos estádios em troca de espaços populares para torcedores em pé. Foto: Raul Baretta/Santos FC
  •  2026. Esportes. matéria sobre estádios de futebol que estão retirando cadeiras dos estádios em troca de espaços populares para torcedores em pé.
    2026. Esportes. matéria sobre estádios de futebol que estão retirando cadeiras dos estádios em troca de espaços populares para torcedores em pé. Foto: Raul Baretta/Santos FC
  • A Neo Química Arena tem dois setores sem cadeira, 
o norte e o sul, ambos sem assesntos para torcedores
    A Neo Química Arena tem dois setores sem cadeira, o norte e o sul, ambos sem assesntos para torcedores Foto: Instagram/NeoquimicaArena
  • 2026. Esportes. matéria sobre estádios de futebol que estão retirando cadeiras dos estádios em troca de espaços populares para torcedores em pé. Neo Quimica Arena.
    2026. Esportes. matéria sobre estádios de futebol que estão retirando cadeiras dos estádios em troca de espaços populares para torcedores em pé. Neo Quimica Arena. Foto: Instagram/NeoquimicaArena
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    2026. Esportes. matéria sobre estádios de futebol que estão retirando cadeiras dos estádios em troca de espaços populares para torcedores em pé. Neo Quimica Arena. Foto: Instagram/NeoquimicaArena
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MP
postado em 12/09/2026 05:00
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