
Tal qual uma vitrine para os novos talentos, os Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s) são o primeiro contato dos jovens com o mundo olímpico. Desde 11 de setembro, o Distrito Federal tornou-se, pela terceira vez, a casa do esporte nacional, recebendo cerca de 5.417 estudantes de todo o país para dividir sonhos, frustrações, realizações e aprendizados. No meio de tantas pessoas, os medalhistas olímpicos e embaixadores do evento, Caio Bonfim e André Domingos tornaram-se figuras de perseverança e inspiração para a garotada na pista de atletismo da Universidade de Brasília (UNB).
A manhã ensolarada de ontem conheceu novos medalhistas do primeiro bloco de atletismo do JEB’s. Para coroar os feitos das atletas da categoria ouro feminina do salto com vara, o brasiliense Caio Bonfim e André Domingos fizeram a entrega das medalhas às jovens. No auge dos 13 e 14 anos, conquistar o pódio e receber o prêmio pelas mãos de quem já conquistou o mundo serve como um tipo de unção dos ídolos da modalidade.
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“Aqui é o início dessa construção”, afirmou Caio. Para o atleta da marcha atlética, vivenciar os Jogos Escolares faz parte da formação de futuros medalhistas olímpicos do esporte brasileiro. “Me fez muito bem quando eu estava nessa idade. Tem sido muito bacana ajudar de alguma forma o esporte brasileiro, motivar esses meninos, e também estar aqui nos bastidores, principalmente onde a gente acredita que essa é a base importante”, destacou.
Ao vir a Brasília, a estudante Sara Beatriz Marquetti, de 14 anos, pôde dar vários checks na lista de coisas para fazer pela primeira vez. A catarinense conquistou o primeiro lugar do pódio no salto com vara, andou de avião e saiu do estado de origem para competir. Momentos para nunca mais sair da memória. “Superou as minhas expectativas. Eu estava vendo o pódio e imaginava que entraria, mas não imaginava o ouro. Foi muito estranho competir aqui. É muito seco. Lá em Santa Catarina é muito úmido. Mas é tudo muito legal. Valeu a experiência”, citou.
A gaúcha Brenda Dreyer Schmitz, de 13 anos, e a paulista Sara Filho Malandrim, de 14 anos, completaram o pódio ao lado da catarinense. Dono de seis títulos sul-americanos de de duas medalhas olímpicas, o ex-velocista André Domingos também integra o time de embaixadores do JEB’s. Cria do evento, o paulista esteve em Brasília em 1991 para competir pelos Jogos Escolares. Hoje, se espanta de forma positiva ao ver o quão longe o evento chegou e deseja voltar a ser criança para viver tudo outra vez.
“Eu sou prova viva. Eu fui a quatro Jogos Olímpicos, conquistei duas medalhas olímpicas graças aos JEB’s, o antigo, lá de 1991”, reviveu. Natural de Santo André, cidade metropolitana de São Paulo, o velocista foi medalhista duas vezes no revezamento 4X100m rasos: prata em Sydney-2000 e bronze em Atlanta-1996. Agora, como embaixador, se orgulha em fazer parte do projeto que fomenta o esporte brasileiro. Na memória, mantém vivo o sonho de criança e as experiências daquela idade até chegar ao topo do mundo.
“É muito emocionante a gente ver que tem crianças aqui traçando os seus caminhos, o seu destino, o seu rumo. Em querer ser um André, em querer ser um Giba, em querer ser uma Daniele Hypólito, um Caio Bonfim. Olha, eu estou arrepiado porque eu estou me lembrando lá nos Jogos Olímpicos. É igual, não tem nada de diferente (do JEB’s). Então, vale a pena sonhar”, observou.
Três perguntas para...
Robson Aguiar, presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar
Como estão sendo os dias em Brasília com os atletas e a expectativa para o próximo bloco de competições?
Estou muito feliz com o resultado. São 5.400 atletas, metade masculino, metade feminino, de todas as unidades federativas do Brasil. E o Brasil está aqui representado em Brasília!
Qual é o papel da Confederação pós JEB’s, para continuar incentivando os jovens a seguirem no esporte?
Até para continuar fomentando nesses atletas aqui, incentivando o esporte o calendário da CBDE é muito extenso. Nós estamos já em setembro e teremos mais eventos até o final do ano. Estamos sempre promovendo eventos esportivos para ajudar a fomentar o esporte nas bases. Porque quando você tem a nível nacional, você acaba levando isso para as regiões.
Como você avalia a importância de eventos como esse para continuar fazendo esses jovens acreditarem que podem chegar às Olimpíadas?
São eventos como esse que dão a eles a oportunidade de sonharem com a Olimpíada. Porque eles têm pessoas do Brasil todo aqui, de alto nível de competitividade. E eles conseguem se basear a que tipo de nível nós temos no Brasil. E aí os incentiva a continuar praticando para melhorar.
*Estagiária sob a supervisão de Marcos Paulo Lima
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