
Líder isolado da Série A do Campeonato Brasileiro com três pontos de vantagem sobre o vice Palmeiras, o Flamengo enquadrou o técnico Leonardo Jardim na base do talento. A maior prova disso é a posse de bola do atual campeão. No ano passado, o português levou o Cruzeiro ao terceiro lugar com média de 47,7% por jogo, a 14ª marca no ranking entre os 20 clubes da elite. Um ano depois, o lusitano ostenta 57,4% à frente do time rubro-negro. O Fluminense é quem domina a estatística com 58,1% até a 28ª rodada.
O Cruzeiro de Leonardo Jardim era programado para contra-atacar. Na linguagem moderninha do tatiquês, assumia o papel reativo. O técnico desejava o mesmo para o Flamengo. Quando assumiu, rompeu com o legado de Filipe Luís. Em 2025, o time carioca conquistou a Série A com média de 62,1%. Era disparado o maior apego à bola do Brasileirão. Em 11 de março, o clube da Gávea derrotou o Cruzeiro por 2 x 0, no Maracanã, com 44% e irritou parte da torcida.
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"Acredito que a posse de bola tem um objetivo: de criar espaço ou superioridade sobre o adversário. Quando o adversário pressiona menos, temos mais posse. Quando pressionam mais, deixam espaços que vamos aproveitar.." Leonardo Jardim, técnico do Flamengo
Na base da tensão e do diálogo, os líderes do Flamengo foram ensinando a Leonardo Jardim o que é o Flamengo. Danilo, Léo Ortiz, Léo Pereira, Jorginho e Arrascaeta, ou seja, os jogadores com o melhor controle de jogo e qualidade de passe acima da média catequizaram o treinador até encontrar o meio termo. Líder da Série A e semifinalista da Libertadores, o time passou a ser híbrido: alterna posse de bola e pressão alta com recuo e contra-ataques letais. O empate por 1 x 1 com o Independiente del Valle nas quartas do torneio continental foi um ponto fora da curva. Os equatorianos tiveram 63% x 37% depois da expulsão de Jorginho.
Autor do gol do tetra na Libertadores no ano passado, Danilo foi uma dos maiores críticos à ruptura com o estilo de Filipe Luís depois do empate por 1 x 1 com o Internacional no Beira-Rio, em Porto Alegre.
"Sempre vamos na direção do que o Mister pensa. Estamos juntos nos desafios. Mas nós também, enquanto jogadores, temos que se reconectar àquilo que são as ideias de jogo do Flamengo. O Mister, desde que chegou, tenta colocar a ideias dele e nós, como grupo, vamos aceitando e se dedicando para melhorar o quanto antes. Mas já não é sobre resultados, pontos, é sobre o time, a maneira de jogar." Danilo, zagueiro
Índice de posse de bola elevado não é novidade no currículo de Leonardo Jardim. É preciso olhar com lupa para os trabalhos dele no Al Hilal e no Olympiacos da Grécia. Em 2021/2022, Leonardo Jardim ostentou 61,1% de média da posse de bola com o time da Arábia Saudita. O meio de campo tinha jogadores com perfil de controle do jogo, bom passe e permitia um estilo impositivo. O volante colombiano Cuéllar e os meias peruano André Carrillo e o brasileiro Matheus Pereira contribuíam para a retenção da bola na maioria das exibições.
Quando comandou o Olympiacos na temporada de 2012/2013, Leonardo Jardim ajudou o clube a conquistar o título da Superliga da Grécia com a segunda maior posse de bola do campeonato nacional: 61%. Ficou atrás apenas do PAOK, vice-campeão com 62,1%.
O Olympiacos valorizava circulação de bola, linhas compactas e domínio territorial. O padrão de jogo foi mantido pelo sucessor, o espanhol Michel. As características do elenco ajudaram Leonardo Jardim a construir um time com pressão alta, recuperação rápida da bola e ataque vertical. Uma intersecção do que ele realizou no Cruzeiro e faz no Flamengo.
O plantel do Olympiacos tinha controladores da posse de bola. Ariel Ibagaza era o maestro da equipe. Paulo Machado sabia retê-la. David Fuster, Giorgios Maniatis e Rafik Djebbour determinavam o ritmo das partidas. Havia garantia de passes curtos, apoio dos laterais-pontas capacitados a oferecer algo a mais: ações ofensivas pelo meio. Estilo posicional.
Incompreendido na chegada ao Flamengo, Leonardo Jardim é camaleão. Os trabalhos dele mostram três padrões diferentes. Quando assume um clube dominante na liga, como são os casos do Flamengo e do Palmeiras, por exemplo, a posse de bola costuma nortear o trabalho com picos de até 60%. Em ligas competitivas como o Brasileirão e o Francês, o Cruzeiro e o Monaco oscilaram de 48% a 52%, respectivamente.
Em times reconhecidamente inferiores aos concorrentes, Leonardo Jardim armou sistemas reativos e ficou entre 40% e 45%. Um exemplo na prática é o Al Rayyan durante o trabalho na Q-League, o Campeonato do Catar. Portanto, o trabalho no Flamengo é mais um fora da curva.
RANKING
Posse de bola na Série A
- 58,1% Fluminense
- 57,4% Flamengo
- 55,0% Cruzeiro
- 54,5% Bahia
- 54,0% Corinthians
- 53,8% Vasco
- 53,7% São Paulo
- 52,9% Palmeiras
- 50,5% Mirassol
- 50,3% Santos
- 49,6% Grêmio
- 49,4% Red Bull Bragantino
- 49,2% Atlético-MG
- 48,1% Internacional
- 47,0% Botafogo
- 46,6% Athletico-PR
- 44,2% Vitória
- 43,0% Remo
- 42,4% Chapecoense
- 40,4% Coritiba
Fonte: Sofascore
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