
O mantra "uma defesa sólida ganha jogo" nunca fez tanto sentido para o Minas e o Cresspom. Finalistas do Candangão Feminino no domingo, às 10h, no Bezerrão, as duas equipes foram vazadas apenas uma vez, justamente no confronto direto na primeira fase. Xerifes do setor nas respectivas equipes, Esther Marques e Sandra duelam pela hegemonia do futebol feminino no DF neste fim de semana com transmissão ao vivo da TV Brasília.
Sandra chegou ao Cresspom no início da temporada. Ela dá o toque de experiência à equipe candanga. Aos 39 anos, a zagueira tem longa bagagem no futebol e ajudou o Cresspom a chegar na decisão do torneio: "Comecei minha carreira no São Bernardo ainda nas categorias de base. Cheguei a atuar no futebol espanhol, chinês e croata. Na última temporada, estava no Atlético Piauiense e consegui o acesso para a Série A2 do Brasileirão", conta ao Correio.
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Sandra teve de batalhar desde o início. Problemas de saúde quase mudaram o rumo da defensora, mas ela persistiu com o sonho de ser jogadora profissional: "Sou apaixonada por futebol desde quando estava no ventre da minha mãe. Pelas situações hospitalares ruins antes de eu nascer, meus pais achavam que viria um menino. Quando nasci, tive um quadro grave de bronquiolite e fiquei bastante tempo internada. Para quem não conseguia respirar direito, hoje estar jogando futebol profissionalmente é quase um milagre", testemunha.
Mesmo com as dificuldades, Sandra não desistiu. Começou a jogar futebol ainda na escola e se destacou gradualmente. Aos 39 anos, a zagueira conffia no título candango: "Acreditamos no título desde o início da campanha e estamos muito confiantes. Todo o grupo e a comissão técnica trabalharam muito para isso. Estamos muito felizes com nosso progresso e vamos lutar do início ao fim", projeta a defensora.
Do outro lado, Esther Marques se tornou peça absoluta no time titular do Minas, comandado por Kethleen Azevedo. A zagueira de 25 anos chegou ao clube em 2025, no processo de reformulação das Minas em busca à elite nacional. Nesta temporada, tornou-se referência dentro de campo na posição, acumulando 17 jogos em 2026 e a responsabilidade de ajudar o clube candango a conquistar o tão sonhado acesso nacional.
5 perguntas para...
DANIEL VASCONCELOS, presidente da Federação de Futebol do DF
A final do Candangão Feminino volta a ser transmitida pela televisão após seis anos. Qual é o significado desse retorno para o fortalecimento da categoria?
A modalidade vem evoluindo bastante nos últimos tempos e o produto futebol feminino vem ficando cada vez mais valorizado. É importante salientar que, quanto mais mostrarmos, em transmissões em TV aberta e de alcance privilegiado, só tende a afirmar a importância que o público dá ao segmento, principalmente porque estamos nos preparando para receber a Copa do Mundo em 2027.
De que forma a exposição em TV pode impactar o interesse de patrocinadores, parceiros e novos investimentos para o futebol feminino candango?
A TV aberta é o maior veículo de comunicação no que diz respeito à visibilidade de imagem. Eu vejo como uma plataforma fundamental para todos nós envolvidos usarmos como referência de atração de patrocinadores e apoiadores, é onde todos podem estampar suas marcas.
A transmissão amplia o alcance da competição para torcedores que não conseguem ir ao estádio. Como a FFDF avalia esse passo na aproximação entre clubes, atletas e o público?
É evidente que queremos o público nos estádios assistindo aos nossos jogos, mas sabemos que existe uma grande parcela da população que não consegue ir, mas quer acompanhar os jogos. E isso acaba aproximando o torcedor dos clubes e da federação.
O retorno à tevê pode ser visto como um marco do crescimento recente do futebol feminino no DF? Quais outros avanços a Federação pretende consolidar nos próximos anos?
Com certeza é um marco, principalmente porque temos o interesse e o dever de dar igualdade de condições que o masculino tem. Falta muito? Com certeza. Mas a cada passo, entendemos que estamos no caminho. Como futuros avanços, queremos organizar meios de capacitar cada vez mais os profissionais para atuarem no futebol feminino. É importante que as pessoas estejam preparadas para lidar com a modalidade com o engajamento que merecem.
Para as atletas, qual é a importância de ter uma final transmitida?
Sabemos que ainda temos um certo bloqueio com a renovação e formação de novas atletas. Portanto, uma transmissão de um campeonato, principalmente de uma final, pode oportunizar as garotas a mostrarem o trabalho para um número maior de pessoas.
*Estagiários sob a supervisão de Marcos Paulo Lima
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