VÔLEI

Superliga Feminina começa neste sábado com a cara do Brasil

A 33ª edição larga com nove campeãs sul-americanas pela Seleção. Vitrine para LA-, torneio estreia mudanças nas regras, tem brasilienses espalhadas por cinco equipes e polêmica sobre atletas trans

Sucesso no Minas permite a líbero Nyeme sonhar com mais uma Olimpíada -  (crédito: Hedgard Moraes/MTC)
Sucesso no Minas permite a líbero Nyeme sonhar com mais uma Olimpíada - (crédito: Hedgard Moraes/MTC)

Nem tudo que é bom e valioso precisa ser exportado, como mostra a Superliga Feminina neste início de temporada 2026/2027. Enquanto o futebol brasileiro se acostumou a ver boa parte dos principais talentos cruzar o Oceano Atlântico rumo à Europa, o vôlei feminino mantém por aqui parte das jogadoras de alto quilate. É o contraste entre os dois esportes mais populares do país.

Nove atletas que participaram da conquista do título sul-americano e da vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028 pela Seleção Brasileira estarão em quadra nesta edição da Superliga, a partir deste sábado. Tainara, Vivian e Lorena, do Sesc RJ Flamengo; Diana, do Sesi Vôlei Bauru; Marcelle, do Osasco; e Sabrina, do Praia Clube, estão entre elas. São jogadoras que dividem a rotina dos clubes brasileiros com a missão de defender a camisa verde e amarela.

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O peso da Superliga vai além da disputa pelo título nacional. Com os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028 no horizonte, as atletas também buscam se firmar no radar de José Roberto Guimarães, técnico da Seleção Brasileira. E o nível promete ser alto: as jogadoras estão distribuídas por clubes com potencial para brigar pelo título, aumentando a competitividade e transformando a temporada em uma vitrine ainda mais importante para o ciclo olímpico.

Oposta do Flamengo, Tainara está no caminho para disputar LA-2028
Oposta do Flamengo, Tainara está no caminho para disputar LA-2028 (foto: Paula Reis/Flamengo)

A competição chega à 33ª edição com 12 equipes na disputa feminina e cerca de sete meses de duração. O Praia Clube é o atual campeão, enquanto o Sesc/Flamengo é o recordista, com 12 taças. Todas as partidas terão transmissão do Grupo Globo. Entre as mudanças no regulamento, o número de substituições permitidas por set passa de seis para oito, enquanto a arbitragem terá atenção especial a lances de condução e ataques irregulares.

A temporada também começa marcada por uma mudança que afeta diretamente a participação de atletas trans. Em agosto, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) adotou novos critérios de elegibilidade para as competições femininas, alinhados à política do Comitê Olímpico Internacional. A medida impede a participação de Tifanny Abreu, oposta do Osasco e campeã da Superliga em 2024/2025. Ela tenta garantir a participação por meio da decisão na Justiça.

Aos 15 anos, a central Anna Luiza Milhomen é a prata da casa lapidada no Brasília Vôlei
Aos 15 anos, a central Anna Luiza Milhomen é a prata da casa do Brasília (foto: Rogério Guerreiro/Brasília Vôlei)

Com 186 jogadoras distribuídas por 12 equipes neste início de temporada, a Superliga Feminina reúne talentos de diferentes estados e países. Nesse universo, o Distrito Federal mantém representantes espalhadas pela elite do vôlei nacional. Levantamento do Correio identificou cinco brasilienses em cinco equipes nesta temporada. Anna Luiza Milhomen, central de 1,83m do Brasília Vôlei; Fabíola Almeida, do Praia Clube; Rebeca Viana, do Osasco; Geovana Vitória, do Barueri; e Vivian Lima, do Sesc/Flamengo, têm origens na capital. 

De volta à elite, o Abel Moda, de Brusque (SC), não tem brasiliense nas quadras, mas a mente por trás do jogo vem do Distrito Federal. Maurício Thomas está há mais 15 anos longe da capital, mas traça diagnóstico sobre a diminuição da fábrica do vôlei da capital. "Tínhamos os clubes, o Minas, Iate, AABR e AABB, com trabalhos de formação, e os atletas tinham a oportunidade de treinar em grandes estruturas, junto a grandes profissionais. Hoje, vejo que os clubes estão diminuindo cada vez mais. Não é uma coisa isolada. Há a carência de bons técnicos e de boas estruturas, tem as dificuldades da logística de Brasília. Talvez, talentos não consigam ir treinar devido ao financeiro, apoio, vales de transporte e alimentação. Hoje, os pais são 'patrocínios'", analisa. 

Brasília Vôlei de casa nova

Com o desejo de recomeço, o Brasília Vôlei estreia na Superliga Feminina na segunda-feira, às 18h30, contra o Osasco, no Ginásio da Federação de Vôlei do DF na 708/908 Sul, com uma meta: os playoffs. Repaginado, o representante do DF mescla juventude e experiência. Na quadra, veteranas trocam vivências com meninas cheias de sonhos. Na prancheta, um técnico com o DNA da equipe. Funcionário há 14 anos, Agnaldo Santos assume o plantel com o frio na barriga de quem verdadeiramente ama a modalidade.

Faz tempo desde a última participação do Brasília Vôlei no mata-mata. Em 2020/21, o time conquistou a classificação ao finalizar o primeiro turno na oitava posição. O sonho não durou muito tempo. Nas quartas de final, enfrentou o Gerdau Minas e foi derrotado nos dois jogos por 3 sets a 0. Nos últimos anos, o time lutou contra o rebaixamento para a Superliga B.

Apesar das dificuldades nas últimas edições, a equipe se tornou vitrine. Referências do time ganharam destaque e se despediram da capital. "Eu gosto muito dessa geração mais nova. De trabalhar o fundamento, dessa união com as mais velhas, que vão ajudando durante o treinamento. Então, isso já é para mim um futuro de jogadoras para o Brasília Vôlei", comemora o técnico Agnaldo Santos.

Aos 31 anos, a líbero Vitória Trindade é a jogadora mais antiga do grupo. Desde 2019 no Brasília Vôlei, a mineira viveu o sonho de disputar os playoffs e a agonia de lutar contra o rebaixamento. Madura, a líbero assumiu a liderança. Assume o papel de quase uma auxiliar-técnica instruindo as companheiras.

Vitória confia no grupo para voltar ao mata-mata. "A cada ano, o objetivo vai aumentando. Então, eu acho que o objetivo deste ano é classificar entre os oito e, a partir daí, conquistar novos objetivos. É pensar jogo a jogo. Nós queremos mostrar o que a gente vem treinando. E o resultado vai ser consequência do trabalho", destacou.

O Brasília tem casa nova na temporada. com o Ginásio do Sesi em reforma, o time trocará Taguatinga pela casa da Federação de Vôlei do Distrito Federal na 708/908 Sul. A capacidade da arena é inferior, mas expectativa é de que a pressão continue a mesma.

Formato

A primeira fase será disputada por 12 equipes em turno e returno, com 22 partidas para cada participante. As oito melhores avançam às quartas de final, enquanto as duas últimas serão rebaixadas. Os cruzamentos seguem a classificação: o primeiro colocado enfrenta o oitavo; o segundo pega o sétimo e assim por diante. Quartas de final e semifinais serão disputadas em séries de melhor de três jogos, e a decisão do título ocorrerá em partida única. Na fase classificatória, vitórias por 3 sets a 0 ou 3 a 1 valem três pontos; nos triunfos por 3 a 2, o vencedor soma dois pontos, e o derrotado fica com um.

1ª rodada

Hoje
18h30 Minas x Abel Moda
Transmissão: SporTV2
Segunda-feira
18h30 Brasília x Osasco
Transmissão: GETV
18h30 Sesi Bauru x Mackenzie
Transmissão: SporTV2
21h Sesc/Flamengo x Barueri
Transmissão: SporTV2
Terça-feira
18h30 Fluminense x Sancor
Transmissão: GETV
21h Praia Clube x Pinheiros
Transmissão: SporTV2

*Estagiária sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

 

  • Oposta do Flamengo, Tainara está no caminho para disputar LA-2028
    Oposta do Flamengo, Tainara está no caminho para disputar LA-2028 Foto: Paula Reis/Flamengo
  • Aos 15 anos, a central Anna Luiza Milhomen é a prata da casa do Brasília
    Aos 15 anos, a central Anna Luiza Milhomen é a prata da casa do Brasília Foto: Rogério Guerreiro/Brasília Vôlei
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postado em 17/10/2026 00:01 / atualizado em 17/10/2026 15:18
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